A sempre soturna Grouper acaba de lançar seu novo clipe Alien Observer.
A faixa faz parte do projeto super ambicioso da artista, A I A, um lançamento simultâneo de dois discos, intitulados Dream Loss e Alien Observer.
Mesmo os álbuns tendo sido lançados na semana passada, pela Mississippi Records, eles já estão esgotados, mas devem ser relançados no verão do hemisfério norte.
Sabe aquelas mil listas de melhores do ano que você leu? Eu também as li. Considero-as uma ótima forma de recapitular o ano.
"Mas então cadê a lista do Dominódromo de melhores músicas internacionais do ano?", você pergunta. Pois digo: gostamos de uma excentricidade por aqui e quisemos fazer algo diferente. A nossa seleção foi só de músicas espetaculares que estiveram em pouquíssimas (ou nenhuma) das tais listas. Achamos que elas merecem uma primeira chance, sabe?
E não diga que esta ausência nas listas foi por um bom motivo. Magoemos menos uns aos outros em 2011. Votos do Dominódromo.
Você encontra alguém pela primeira vez e, ainda assim, surge o sentimento de que o conhece por toda a vida. O destino conspirou: os dois nasceram para ser amigos, namorados, que seja. É um momento raro e deveras especial.
"Time", na minha primeira audição, pareceu uma velha amiga, fez sentido imediato, sabe? Bateria, guitarra, baixo e voz, em cadência perfeita, exatos para o meu gosto.
A rápida identificação é um claro sinal de que eles copiam outras bandas do meu gosto, claro. E quer saber? Achar menos da música por isso seria entojo barato, reclamação de barriga cheia. Se for para não reinventar a roda, que seja de forma tão irrepreensível quanto a dos Beach Fossils.
Grouper, ou Elizabeth Harris, parece ter a mesma ambição de muitos compositores clássicos: criar hinos para divindades. Não que ela acredite em alguma, deixo claro. "Hold" é pura enlevação religiosa, música que ascende a alma e preenche templos e te faz acreditar.
Acreditar em quê? No poder de criação do ser humano, o único que realmente importa, caramba.
Como é sabido para todos aqueles que moram ou moraram sozinhos, não fosse a mágica do tempero do saquinho ou das invenções que nascem do desespero do enjoo - ketchup, requeijão, cheddar derretido -, a dieta diária de Miojo não seria viável.
O electropop é o Miojo da música. Indicador saltando entre teclas, 3 minutos de alguma batidinha programada e rimas de amor; sua paleta sonora pouco muda. A salvação está na melodia, o tempero do saquinho. Enquanto ela for variada e distinta, a mágica do macarrão instantâneo eletrônico perseverará.
Nicholas Ng, o Fiveng, é um mestre-cuca nesta fina arte: "Give Me A Taste" é simples como ramen, mas as especiarias certas estão lá, despejadas em pitadas precisas.
O nome da banda é uma piada com um famoso piloto de Nascar. Não podia ser mais inapropriado: "Vocal Chords" é paciência e placidez, música para andar de bicicleta, tentando acertar as lindas harmonias vocais, tum-tum-tum para ficar esperto, não tenso, com os carros, olha o assobio fácil, agora dá para fazer igual e não parecer tão louco para os outros, se bem que nem estou aí para eles, só seus carros que demandam alguma atenção, obrigado, tum-tum-tum, pela atenção adquirida, eu prometo que vou te levar mais vezes para passear comigo.
Relaxe os ombros e respire fundo; deixe de lado a aflição, a neurose, as pobres unhas das suas mãos. Aquela fagulha de felicidade que está aí dentro de você, vacilante? Deixe "Go Outside" soprá-la, com cuidado, colocando-a para dançar, vestida de laranja, quente, no limite da exaustão. Tudo dará certo, vai por mim.
"Hammock" nem se parece com algo que você ouviria incidentalmente na sua praia de preferência. Uma injustiça: ela cristaliza um verão ideal, daqueles que sempre terminam antes da hora. Você sabe do que estou falando: brisa do mar, preguiça sem culpa, pele quase em ebulição, romance despreocupado com mais nada... De alguma forma mágica, por ecos, poperô e um violão de Gypsy Kings, a música do Millionyoung expressa tudo isso e mais.
Pois viaje com fones de ouvido, carregue aparelhos microsystem por todos os lados, cantarole alto e tome à força o violão daquele cara chato do luau. "Hammock" será seu segundo protetor solar, uma barreira para que o Axé dos outros não desvirtue o seu verão.
Nas últimas duas semanas eu e o Fernando estávamos de férias em Nova York. Para correr atrás do tempo perdido vou fazer um resumão do que rolou nos últimos dias.
Logo mais a gente também vai postar vídeos, fotos e textos mostrando tudo o que a gente viu por lá. Tem muita coisa legal!
Para começar aí vão alguns clipes que saíram recentemente:
Grouper: Hold the Way
JJ: Things Will Never Be the Same Again/Intermezzo/My Love
Los Campesinos!: There Are Listed Buildings
El Perro del Mar: Change of Heart
Fever Ray: Stranger Than Kindness
Weezer: (If You're Wondering If I Want You To) I Want You To
Via de regra, não somos felizes, nem tristes. Ficamos no meio, balançando para lá e para cá, sem muita resolução. Por isso que os extremos emocionais na música, tão distantes da nossa constante apatia, nos comovem tanto. De um lado, há o carnaval, naquela alegria alienada e intransigente de cores, batidas e carne; do outro, há a música de introspecção, como a da senhorita Liz Harris, ou Grouper, equilibrando-se entre o ascetismo da ambient music a delicadeza melódica do dream-pop.
Dos dois extremos, é essa melancolia que, de fato, mexe comigo. Como ela é mais bela do que a marchinha, o samba, ou qualquer música deliberadamente feliz!
As razões desse masoquismo sonoro são incompreendidas, mas ele é um fato. Seu sentido surge, lá dentro, nos primeiros ruídos de Heavy Water/I'd Rather Be Sleeping. Fingir a felicidade não é mais necessário; a música já está a reverberar com a nossa real tristeza interna.
O corpo começa a reagir, as toneladas de areia começam a se deslocar, revelando templos, estátuas, artefatos das nossas origens sombrias. Por 3 minutos, nossas vísceras ficam lá, expostas e a céu aberto, em uma fragilidade que jamais permitimos a nós mesmos.
Essa música é individual, solitária, no quarto com porta fechada ou no fone de ouvido. A interrupção seria o nosso colapso. Não podemos nem ao menos ser vistos por outros enquanto nesse estado só nosso, de gestos, olhares e bocas que nunca revelamos. Seríamos vivisseccionados.