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7 de outubro de 2008

club de las serpientes #18 - hacia dos veranos

hacia dos veranos
Los quemados surgiram como um trio (Víctor, Xavi e Ada), em meados de 96, em Barberà del Vallès. A pequena cidade, originalmente uma das tantas cidades-dormitório que alimentaram o processo de urbanização de Barcelona, parece ter sido grande influências para a banda. Ídolos anarquistas, pouco patriotismo, literatura, decepções diversas: com amores e amigos, ironia e castelhanismos povoam as letras da trupe liderada pelo argentino Víctor J. Perguntado sobre o papel dos Quemados na cena espanhola dos 90, Víctor disse não acreditar em papéis: "no final das contas, somos uma banda pop. Ajudamos as pessoas a matar o tempo. Sei que não era esse o objetivo dos amigos que se reuniram para compor e escrever letras inflamadas, há coisa de 10 anos. Mas tudo acontece, assim, devagar. Hoje, quando cantam nossas músicas, querem apenas lembrar uma melodia bonita". A banda encerrou as atividades, com Carol Electra no baixo, em 2002.
Rodrigo Maceira







[MP3: hacia dos veranos - los quemados]
myspace.com/haciadosveranos

10 de março de 2008

mp3 do dia - hacia dos veranos

hacia dos veranos

Estou doente, mas isto aqui me fez melhorar.


[MP3: hacia dos veranos - la última tarde del apicultor]

Escreva, agora, no post-it, Fernando, isso que está na sua cabeça - o termômetro devia estar na axila esquerda, droga, mas antes a anotação à temperatura correta em três minutos -, leia atentamente a mensagem grafada, e então cole o bilhete adesivo sobre a cama, para lê-lo, em voz alta, antes e depois do sono: não desista da humanidade, dos pequenos momentos de alegria, da miríade de coisas lindas e acidentais pela passagem, sempre desprezadas por nós, seres sedentos por um tipo de felicidade absoluta, plena, irrestrita. Sedentos porque ainda vivemos de comparações entre o presente e as erupções de alegria que fazem da nossa infância a maior saudade de todas. Maior saudade de todas porque é acompanhada também pela maior impotência de todas: a de não poder voltar atrás. Maior impotência de todas porque é dolorosa duas vezes: primeiro, naquele instante do fracasso; depois, no resto dos dias, doravante desfigurados pela constatação de que a vida passa, sim, rumo à expiração. Deprimente? À primeira vista, sim. Mas esse lembrete não serve para deprimi-lo, Fernando, mas para alegrá-lo. Seu pedido é um só: nessa implacável brevidade, jamais deixe que uma música soe menos intensa, que as notas não reverberem em suas células, que as lembranças não sejam dignas de se tornarem a sua versão primitiva de eternidade.