Para quem sempre quis presenciar um desses momentos indescritíveis, chegou a hora. A banda vai lançar um disco ao vivo, no dia 29 de abril, que será vendido exclusivamente pela internet, entitulado After the Balls Drop (SENSACIONAL). Tá bom, vai, não é a mesma coisa que ver um show dos caras ao vivo, mas já é um começo. Vai que eles baixam por aqui um dia desses, né?
A equipe (de dois) do Dominódromo deseja boas festas para todos os seus leitores... Ah, por que a moderação?!? Desejamos boas festas para todos!
Tiraremos férias pelas próximas duas semanas, durante as quais prepararemos várias novidades megalomaníacas para 2008. Por ora, entretanto, temos nada a oferecer além da nossa humilde lista de melhores discos de 2007. Ela está em ordem alfabética, pois acho um tanto estranho alguém conseguir graduar os discos com tamanha precisão ("esse aqui é um pouco melhor do que esse, que é um pouco melhor do aquele..."). Não concordo com alguns, a Karen não concorda com outros, mas chegamos a um meio-termo. Nesse caso, a moderação cai bem.
Enfim, aí estão eles, cheios de glória:
a sunny day in glasgow - scribble mural comic journal / tout new age battles - mirrored benoît pioulard - précis blonde redhead - 23 caribou - andorra chromatics - iv deerhoof - friend opportunity deerhunter - cryptograms enon - grass geysers... carbon clouds feist - the reminder interpol - our love to admire land of talk - applause cheer boo hiss lcd soundsystem - sound of silver les savy fav - let's stay friends of montreal - hissing fauna, are you the destroyer? pinback - autumn of the seraphs radiohead - in rainbows relay - still point of turning sambassadeur - migration the arcade fire - neon bible the besnard lakes - are the dark horse the field - from here we go sublime the national - boxer the twilight sad - fourteen autumns and fifteen winters we all have hooks for hands - the pretender
Não tenho comprado as recentes tentativas de hype do Pitchfork Media. Primeiro, foram as hipérboles despejadas sobre The Underdog, do Spoon, emqualqueroportunidade. Sério? The Underdog? Com tanta música melhor no novo disco?
Agora, acho estranha toda essa atenção recentemente dada ao meu querido Les Savy Fav, notoriamente desprezado por eles no passado.
Na resenha do Let's Stay Friends, eles postulam que Patty Lee é o mais claro destaque do disco. No dia seguinte, publicam o clipe da música, como ratificação do que induziram. E assim se cria a hype: formando uma onda de divulgação positiva do mesmo tópico, até a percepção do público ser convencida de que, sim, há um movimento maior de apreciação. Uma piada.
O disco novo é ótimo, mas Patty Lee é legalzinha, não excepcional, e o vídeo, elogiado pelo site, é chatinho, chatinho. Quase chega a dar saudade da abelhinha de No Rain.
Adoro Les Savy Fav, mas, acima de tudo, tenho bom senso.
Muitos nunca levaram o Les Savy Fav a sério. A verve, digamos, performática da banda, formada dentro da lendária Rhode Island School of Design (origem comum à do Talking Heads), costuma ser interpretada como mera palhaçada. Um show do LSF envolve suor, pêlos, fantasias ridículas e interação irrestrita da platéia, para o pavor da nação blasé.
O vocalista, Tim Harrington, é a antítese do indie, o tio barrigudo que adora falar alto e abraçar estranhos. Nos shows do LSF, já aprontou traquinagens como:
- Descer do palco e roubar as bolas de um jogo de sinuca em progresso; - Encher a boca de água ensaboada e ficar a lançar bolhas de sabão ao ar; - Confiscar câmeras da platéia e tirar suas próprias fotos do show; - Encharcar o palco com uma mangueira, rasgar sua roupa e sair deslizando pelo chão, usando uma módica sunguinha.
Para mim, eles são gênios: seus shows são happenings artísticos e democráticos; suas letras são incríveis, cheias de métrica e referências, como um bom livro; seu último disco, Inches, de 2004, é uma compilação de 9 singles ultra-raros (18 músicas), lançados nos últimos 10 anos, em ordem cronológica inversa. Um detalhe: o projeto foi concebido em 1995!!!
What Wolves Would Do?, tirada de Let's Stay Friends, a ser lançado em setembro, não soaria estranha entre Meet Me In The Dollar Bin e Hold Onto Your Genre, as 2 primeiras faixas do Inches. Mostra um Les Savy Fav mais brando, que trocou uma das guitarras por um sintetizador, e até está disposto a cantarolar (A-U-U-U-U-U-U). Mas a sonoridade continua afiada, fonética, com palavras meticulosamente inseridas dentro de uma estrutura sólida em sua batida mecânica e insistente, mas frágil em sua guitarra quase decomposta, levemente dedilhada. A intensidade entre as partes é equalizada somente uma vez, quase por acidente, em um refrão paradoxal em sua não-repetição.