Antes de tudo, quero deixar claro que vocês podem desconsiderar a minha opinião sobre o Motomix: meu texto virá com o viés de quem imaginou e escreveu conceito, formato e lineup do projeto. Sim, minhaa relação com esse festival é íntima, paterna.
Dito isso, achei o evento incrível. Juro que estou sendo sincero. A expectativa para os shows do Fujiya & Miyagi e, claro, do Go! Team - minhas bandas prediletas da escalação - era astronômica, mas foi correspondida, com sobra. E durante esse sábado no Ibirapuera, havia algo no ar, uma atmosfera especial, que despertava sorrisos, conversas com estranhos, descobertas sensoriais. Talvez tenha sido pela combinação feliz e semi-acidental de cenário (o parque e o dia lindo), acesso (a gratuidade), boa música (ainda que desconhecida) e público presente (gente aberta, diversa e interessante, ao invés dos costumeiros VIPs). Ou pode ter sido a adesão do projeto a uma cartilha simples: menos aparência, megalomania, lugares-comuns, vícios marketeiros e subestimação do público. O nosso calendário cultural é cheio de tudo isso, e o frescor de algo um pouquinho diferente logo é notado.
Bandas selecionadas
Primeiro, tocaram as sortidas bandas nacionais: tivemos o som pesado e oitentista do Venus Volts, o electropop limpo e bem-feito do Stop Play Moon, e o pop-rock rebuscado e cheio de referências (ainda que lento) do Nancy. Foi legal observar como cada uma aproveitou a chance, e fazer apostas sobre o futuro delas (minhas fichas estão no Stop Play Moon).
Bandas internacionais
Depois, chegou a vez das bandas internacionais, que não traziam fama na bagagem, mas tinham a qualidade musical necessária para superar esse revés, mesmo com tempos, gêneros e propostas variadas entre si. Foram elas:
Metric
O Metric, colocado como uma espécie de headliner, fez um show sério, profissional, muito bem-tocado. A experiência das apresentações para grandes platéias no Canadá e EUA ficou clara. Apesar de não ficar empolgado - nunca fui fã da banda -, posso dizer que gostei deles ao vivo. A turma da grade estava histérica, entretanto, da mesma maneira que fiquei com as outras duas bandas.
Fujiya & Miyagi
O Fujiya & Miyagi é precisão, repetição, transe. E todas as músicas que tanto ouvi do Transparent Things estavam lá, nota a nota, amplificadas por um setup de som que acentuou o tão valioso baixo que as torna hipnóticas. Não é o tipo de música capaz de criar histeria em grandes públicos, mas, ainda assim, fiquei surpreso ao ver como a frieza recíproca entre banda e audiência se desfez na entrada do baterista no palco, substituindo a base eletrônica com groove, novas viradas e uma dose extra de funk. No final, todos estavam cativados, com direito a um "aaaaah!" coletivo quando foi anunciada a última música.
The Go! Team
No lado oposto do espectro, tivemos a espontaneidade do Go! Team, trocando instrumentos, improvisando em arranjos e letras, e chamando - aliás, ordenando! - o público, fossem eles fãs antigos ou pára-quedistas, a cantar, dançar e fazer parte. Alguns dizem que o som deles é infantil... Que preguiça dessa gente que considera a ingenuidade como um elemento artístico inferior. Ela é a principal virtude do Go! Team, o combustível da inquebrantável busca pela euforia, sem cinismo ou grandes pretensões. As coreografias, as notas tortas, os samples de metais (incríveis), as gaitas e toda a bagunça restante no som dos ingleses soam ingênuos porque nossos olhos e ouvidos se tornaram cínicos com o tempo. Daquele entusiasmo genuíno no palco, nasceu uma espécie de nostalgia indefinida, definitivamente boa, que não remete a algum momento específico do passado, mas a algo ainda a ser vivido, agora! A mera lembrança do show já estampa meu rosto com um sorriso - que vontade de ser infantil pelo resto da vida! E é música nova, sem rótulos ou comparações, algo difícil de ser encontrado.
E o MP3 do Dia, afinal...
Como MP3 do Dia, vou deixar um dos destaques do show do Fujiya & Miyagi, Knickerbocker, faixa do novo disco, Lightbulbs, anunciado para setembro. A repetição krautrockiana está lá, mas com uma dose extra de calor que amolece, mas não derrete, a fundação glacial do som deles.
O Dominódromo já está na contagem regressiva para um dos festivais mais legais dos últimos tempos, o Motomix. Para ir entrando no clima, vou colocar aqui alguns vídeos das bandas que irão se apresentar no Parque Ibirapuera, no próximo sábado, dia 28/06. E o detalhe: é tudo de graça! Coisa de primeiro mundo...
O primeiro homenageado é o Fujiya & Miyagi. Aí vai um clipe incrível e um vídeo de uma apresentação ao vivo dos caras.
O Motomix, que terá neste ano as atrações internacionais Fujiya & Miyagi, The Go! Team e Metric, já divulgou os nomes das bandas nacionais que vão se juntar ao lineup.
Os escolhidos pela curadoria do festival foram Vênus Volts (Campinas), Stop Play Moon (São Paulo) e Nancy (Brasília).
Vale lembrar que tudo isso rola no dia 28 de junho, no Parque do Ibirapuera, e a entrada é gratuita.
O Fujiya & Miyagi, uma das atrações internacionais do Motomix 2008, agora é um quarteto. Os caras chamaram Lee Adams para substituir a bateria eletrônica que eles costumavam usar.
A gente vai poder conferir o que mudou no som dos caras, e ainda deve ouvir algumas faixas novas da banda, já que o novo disco deles, Lightbulbs, será lançado em setembro.
A tracklist de Lightbulbs é a seguinte:
Knickerbocker Glory Uh Pickpocket Goosebumps Rook To Queen's Pawn Six Sore Thumb Dishwasher Pteradactyls Pussyfooting Light Bulbs Hundreds And Thousands
O Motomix rola no dia 28 de junho, no Parque do Ibirapuera. As atrações internacionais são Fujiya & Miyagi, The Go! Team e Metric. A entrada é gratuita.
O The Go! Team, uma das atrações do Motomix deste ano, resolveu disponibilizar algumas faixas para download, de graça, no seu site oficial.
A banda vai colocar à disposição dos fãs uma nova versão de Milk Crisis, além do vídeo da música, e alguns remixes raros. Pena que tudo isso só vai estar disponível no dia 21 de julho, mas vale a pena esperar.
Em setembro, os caras entram em estúdio para gravar o seu terceiro disco, que ainda não tem lançamento previsto.
Lembrando que o Go! Team toca no Motomix ao lado do Fujiya & Miyagi e do Metric, no dia 28 de junho, no Parque do Ibirapuera, e a entrada é gratuita.
Esses são só alguns exemplos de quem ganhou uma graninha extra emprestando os seus dotes para a publicidade. Agora é a vez do Flaming Lips entrar nessa: os caras deram o seu aval para a faixa The Yeah Yeah Yeah Song ser usada no comercial do molho de salada Kraft.
Depois de anunciar Fujiya & Miyagi e The Go! Team, o Motomix finalmente matou a curiosidade de todos em saber qual seria sua outra atração internacional.
Acaba de ser confirmada a vinda dos canadenses do Metric (foto). A banda de Emily Haines, que vem trabalhando no seu próximo disco há algum tempo, deve mostrar material novo por aqui.
Para mim esse é o melhor Motomix EVER!
Não se esqueçam: dia 28 de junho, às 15h, no Parque do Ibirapuera, de graça! Coisa de primeiro mundo, né?
No dia 28 de junho, rola o Motomix, o primeiro grande festival internacional de 2008. As especulações são muitas, mas o único nome confirmadíssimo até agora para se apresentar no evento é o sensacional Fujiya & Miyagi (foto).
Não podemos revelar os outros nomes em negociação, mas dá para garantir que serão favoritos do Dominódromo. E o melhor de tudo é que os shows vão rolar no Parque do Ibirapuera e serão gratuitos.
Vai ser a tarde de inverno mais dançante dos últimos tempos. Preparem-se!