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23 de dezembro de 2009

Não É Carne Nem Peixe #24 - entrevista com White Magic

Entrevista com White Magic (Mira Billotte). Segundo o Felipe Gutierrez ela está doidinha para vir tocar no Brasil.

Às vezes vocês são associados a um movimento chamado New Weird America, seja lá o que isso signifique. Vocês são, realmente?

Não tenho certeza, mas já escutei e ouvi de bandas que são associadas. Acho que é um gênero que alguém bolou para descrever algumas bandas contemporâneas de rock psicodélico e folk. Mas não acho que a gente se encaixa na categoria. Não acho que ainda exista um gênero para descrever a White Magic.

O Arthur Russell parecia ser um cara tão bacana, não?

Sim. Ele parecia ser um artista único e eu sou uma fã. Sinto uma conexão misteriosa com a música dele, como se tivéssemos um processo ou abordagem semelhante de música - minimal, experimental e que se espalha. E também com a experimentação, fora da avant garde, com a música popular.

Algumas canções e nomes de discos são associados a temas esotéricos, como Dat Rosa Mel Apibus. Vocês são esotéricos?
Dat Rosa Mel Apibus significa a Rosa Dá o Mel para as Abelhas em Latim. Nós somos as abelhas, a rosa é a vida, e estamos numa busca pelo mel, que é um presente. Sim, há temas esotéricos na minha música. Esotérico no sentido de sentido de pertencimento ao domínio do nosso interior e é uma exploração.

30 de novembro de 2009

Não É Carne Nem Peixe #23 - Entrevista com Heather Woods Broderick

Entrevista com Heather Woods Broderick, por Felipe Gutierrez.

Qual a sua relação com Peter Broderick?
Peter Broderick é meu irmão mais novo, e também um dos meus colegas de banda no Efterklang.

Qual a sua relação com Portland?
Eu cresci num lugar a cerca de uma hora e meia de Portland durante o fim da minha infância. Era a cidade grande mais próxima da pequena cidade onde eu e minha família morávamos. Me mudei para Portland há nove anos, e tenho realmente gostado de viver lá por várias razões. As comunidades artística e musical de lá são muito únicas, e a cidade está entupida de gente com talento. Para mim está sendo um lugar ótimo para escrever e tocar música, e também para fazer bons amigos.

Você teve treinamento musical?
Minha família era muito musical. Eu comecei a ter aulas de piano quando tinha 8 anos, e continuei até grande parte da minha educação na faculdade. Comecei a tocar em bandas quando tinha uns 18 anos, mas só comecei a escrever minhas próprias canções há uns dois anos. Nunca tive aulas de canto, mas acho que seriam bem divertidas.

2 de setembro de 2009

não é carne nem peixe #22 - entrevista com hurtmold

Entrevista com Guilherme Granado, do Hurtmold, por Felipe Gutierrez

A banda fez dez anos recentemente, certo? Dá para somar quantos discos todos os membros do grupo gravaram nesses anos - incluindo os que não são do Hurtmold, mas os Bodes & Elefantes, M. Takara, SP Underground, etc.?

Vamos lá: o Hurtmold tem 5 discos (et cetera, cozido, o split com os eternals, mestro e o último), o M. Takara tem 3 discos e um EP, o Bodes & Elefantes 1 disco e um EP digital, o São Paulo Underground 2. Logo esse número deve crescer pois todos esses projetos estão com discos novos em andamento. Sem data prevista, é claro. Portanto por enquanto são 13 discos, fora as incontáveis participações de todos em diversos projetos de diversos artistas ao longo desses 11 anos.

Se um de vocês tem uma ideia musical (uma melodia, por exemplo), como escolhe se usa essa ideia numa canção do Hurtmold ou no projeto paralelo?

Isso é completamente abstrato. Você acaba sabendo que aquilo funcionará com aquele grupo de pessoas ou não. Impossivel, pra mim, explicar como exatamente isso acontece.

O Maurício lançou um vinil recentemente. O último disco - Hurtmold - saiu em CD. Vocês vão continuar lançando discos em CDs? Ou vão mudar para outros tipos de mídia?

Não sabemos. Sempre quisemos lançar tudo nosso em vinil, mas isso não foi possível até agora. Ainda pode acontecer. O CD ainda não se sabe como vai ser daqui pra frente. Não sei responder essa pergunta, ainda...

Me lembro que no Sonar de São Paulo, em 2004, vocês se apresentaram como Hurtmold, "daqui de Pinheiros" (bairro de São Paulo). Vocês tentam, conscientemente, construir um "clima" de São Paulo nas músicas? Se a resposta for negativa, vocês acham que o som do Hurtmold remete à essa cidade?

Não é consciente. Acaba acontecendo, porque vivemos aqui e fazemos musica aqui. Acho que se você é sincero não tem como isso não aparecer uma hora ou outra. São Paulo é a nossa casa, amamos e odiamos essa cidade, ela está presente, sim, na nossa música.

18 de agosto de 2009

não é carne nem peixe #21 - entrevista com the big pink

Entrevista com Milo Cordell, do The Big Pink, por Felipe Gutierrez.

Na sua opinião, quanto é velho suficiente para amar?

(Essa pergunta ele não respondeu)

Eu vi na sua página do MySpace que vocês colocaram uma foto da (videoperformance) “I’m Too Sad To Tell You”. Por que vocês colocaram lá?

Porque expressa uma emoção que eu sinto às vezes.

Vocês eram um par com caras de fofos, temperamento de dia ensolarado, membros do coral de Gloucestershire rural que gostavam de uma relação incrivelmente segura com os seus pais, como o Rob Fitzpatrick (crítico do Guardian) disse?

Não. Eu sou de Londres, não sei cantar e odeio meus pais.

11 de agosto de 2009

não é carne nem peixe #20 - entrevista com o thermals

Entrevista com Hutch Harris, do Thermals, por Felipe Gutierrez.

Como estão as coisas na Kill Rock Stars? É melhor pagar impostos em Seattle ou Portland?

O melhor é não pagar impostos! As coisas vão ótimas na Kill Rock Stars. Eles são muito rápidos e eficientes, e muito legais de se trabalhar. Portland sempre teve muitos selos pequenos e decentes, mas nunca um grande selo. Agora temos. Kill Rock Stars!

Vocês vão lançar We Sleep in a Holy Bed?

Obrigado por perguntar! Acho que não. Não num futuro próximo. É um disco muito bom! Ou pelo menos vai ser. Ainda precisa de um tanto de trabalho. Eu gostaria de ver ele lançado, eventualmente. Talvez depois que fizermos o próximo disco dos Thermals, e depois que eu fizer meu primeiro disco solo.

Vocês já dirigiram um Hummer?

Não, nem dirigimos e nem andamos num Hummer. Eu tomo isso como referência à nossa recusa em licenciar à Hummer a nossa canção "It's Trivia". Se vocês leitores não sabem, nós recusamos (pelo menos) 50 mil dólares. Nós somos tão radicais! Estamos esperando que a empresa chinesa que comprou a Hummer faça uma oferta ainda maior, mais amedrontadora e mais desperdiçadora. Daí estaremos totalmente dentro!

Seu últimos discos parecem ser mais pop dos que os anteriores. Vocês atingiram público maior ou isso não mudou?

Nós estamos sempre atingindo um público maior, porque a gente só melhora e melhora. Todos os nossos discos vendem mais do que o anterior, e cada disco é baixado ilegalmente mais do que o anterior. Go us! (acho que não precisa traduzir esse Go us!)

3 de agosto de 2009

não é carne nem peixe #19 - entrevista com o delorean

Entrevista com Ekhi, do Delorean, por Felipe Gutierrez.

Por que vocês nomearam o EP “Ayrton Senna”? Delorean também é o nome de um carro, não é?

Não tem nada a ver com o nome Delorean. É só que a gente gosta de F1, e o Ayrton Senna é mais ou menos uma referência. O Igor uma vez veio do estúdio e nos falou que o Ayrton Senna disse: “se tudo está sob controle e alguma coisa não está bem, isso significa que você não está dando tudo de si”. E nós pensamos “é isso”.

Ayrton Senna parece ser mais eletrônico do que o material anterior. É uma mudança intencional?

É mais eletrônico, num certo sentido porque produzimos num computador. Soa mais eclético, no entanto, é mais pop, e mais rico em termos de ritmos e arranjos. Nós éramos mais techno antes.

Como é a vida em Barcelona?

A vida é boa. Era mais divertida, no entanto. Agora a diversão se foi e nós só trabalhamos com música com nossos amigos e com quem aprendemos juntos, fazemos nossas próprias festas como a Desparrame e tal... Tem uma comunidade legal agora com gente como John Talabot, Sidechains, Hivern Discs, The Requesters, Dj K**O, Extraperlo, El Guincho, Plat du Jour, Discoteca Oceano...É definitivamente legal.

28 de julho de 2009

não é carne nem peixe #18 - entrevista com o dj rupture

Os fãs já podem ficar tranquilos! Depois de um tempo desaparecido, o nosso querido colaborador Felipe Gutierrez voltou com a coluna Não é Carne Nem Peixe, com uma entrevistinha bem legal com o DJ Rupture.

Você está planejando um disco novo?

Sim. Em novembro vou lançar um novo disco de mixagens, chamado Solar Life Raft. Fiz junto com Matt Shadetek – é mais ou menos 30% de produção nossa. Remixamos Gang Gang Dance e Telepathe, e vários poetas amigos nossos estão lá, assim como vários beats exclusivos de outras pessoas.... Em setembro também sai um disco de Jahdan Blakkamoore chamado Buzzrock Warrior. Vai ser pela !K7 Records – eu e Matt produzimos o disco aqui no Brooklyn. Tem muita coisa acontecendo.

Eu tenho um projeto de banda chamado Nettle. No começo de 2010 vamos lançar um disco chamado “El Resplendor”. A banda envolve cordas marroquinas e eletrônica. “El Resplendor” é uma trilha sonora de um filme que ainda não existe. A ideia é: pegue O Iluminado. Imagine uma refilmagem d’O Iluminado, mas em vez de acontecer no Colorado, a ação acontece num hotel vazio em Dubai, nos Emirados Árabes. Estamos fazendo essa trilha sonora.

Posso estar errado, mas você esteve no Brasil há alguns anos para uma discussão sobre distribuição, não? E como foi? E o que você acha que mudou desde então?

Me diverti no Brasil. Foi há uns quatro anos. Então, sim, muito mudou na distribuição da música desde então. Se você quiser que eu seja mais específico, vai ter que me convidar para falar sobre isso de novo, haha.

Qual o sentido da expressão “Mudd Up!”, que é o nome do seu blog e do seu programa de rádio? E por que você escolheu esse nome?

Tem alguns sentidos. Primeiro, existia um Mudd Club da cidade de Nova York no começo dos anos 80. Era um lugar onde o rap e a no wave se fundiam. Blondie e Basquiat, era esse momento sensacional no qual diferentes culturas e cenas estavam se misturando e festejando juntas em Nova York. E então eu gosto disso. Mas Mudd Up também é um ritmo de reggae, então o nome se liga à cultura do dancehall, a cultura das versões e dos remixes e tudo isso. E claro, tem a referência a negritude também. Mudd Up pode significar “fique preto” ou então “fique sujo”.

Além da internet, em quais outros lugares você procura música? É possível achar canções que ainda não estão online?

Procurar só música online não funciona... Tem muita coisa boa offline. Desde lojas de discos de vinil até CD-R no mercado de Tepitos, na Cidade do México. A internet só representa uma fração pequena da música lá fora. As coisas mais interessantes são serão onde as músicas são feitas e fisicamente vendidas, falando com as pessoas, fazendo conexões, aprendendo no contexto. É muito fácil baixar alguma música e mixar. Mas estou muito mais interessado nas histórias dos sons, até música super nova. É sobre intimidade e não distância, e a internet ajuda as pessoas a ficarem distantes – eu gosto de sujar minhas mãos...claro que a internet é super útil, mas você precisa olhar em outros lugares e ter outras interações para entender o que acontece com a nova música e como tudo funciona.

2 de junho de 2009

não é carne nem peixe #17 - twin sister

twin sister
Entrevista com o Twin Sister, por Felipe Gutierrez.

Você pode apresentar a banda?

Eu, Eric (guitarra, vocais), toco com e sem o Bryan (bateria) por quase oito anos. Conheci a Andréa (vocal) quando tinha 13, e éramos um duo folk por alguns anos, nosso nome era Storm Petrel. Tínhamos músicas sobre os gatos dela, nossos quintais, pinturas, etc... Uma música (chamada Twin Sisters) era sobre uma pintura grande penduranda nas costas de um peixe dourado gigante.

Como somos cinco compositores, trocamos canções por anos. Em junho de 2008 começamos a tocar como uma banda única porque estávamos cansados de gravar sozinhos nos nossos quartos. Levou alguns meses para aprender a colaborar, mas bolamos um sistema que deixa cada um ser criativo e totalmente necessário ao processo musical.

Nosso EP é uma representação engraçada de nossa mistura.

Dry Hump, na verdade, foi gravada há dois anos, quando consegui meu equipamento de gravação. Me lembro de estar tão assustado quano mandei para o Bryan, que estava em Austin na época. No último verão, revisitamos a gravação original como uma banda completa, remixamos e até gravamos uma versão mais longa, de dez minutos, que se pode encontrar no site.

Ginger é quase tão velha quanto; a versão original, de uns três anos, era muito baseada em percussão, usando pequenos sinos e os zíperes de nossas roupas. Muito de quarto. Lá por maio de 2008 nós fizemos a versão do EP depois de escutar muito Kate Bush e Cocteau Twins. Fato engraçado: Bryan, Dev e Gabe tocam guitarra nessa. Eu toco bateria!

Nectarine é antiga, também. É a segunda canção que compomos juntos Não sei sobre o que é. Depois de gravarmos, passamos tudo para um cassete que o Gabe trouxe. Hoje tocamos uma versão muito diferente.

I Want a House foi escrita quando a Andréa e eu fazíamos gravações em casa, como um duo. Na época, a gente trabalhava no mesmo lugar, uma empresa que fazia e entregava cestas de frutas. Ela entregava e eu trabalhava na loja. Um dia, ela deixou uma mensagem no telefone com a parte dos vocais e a letra. Não sei bem de onde veio, mas nós tínhamos nos mudado recentemente para um apartamento de porão – sem janelas, carpete...talvez isso explique a letra.

Vi na sua página na internet que vocês sobem algumas melodias e ideias musicais que ainda não são canções. Para que vocês fazem isso?

Dev (que toca guitarras e teclado): Pessoalmente, eu gosto de ter um registro de todas as coisas musicais que fazemos. Se nós mantivermos isso, em anos teremos uma história completa da evolução das nossas canções. Qualquer valor que gente de fora da banda leve de nossas ideias semi-formadas é um bônus extra. Hoje em dia, a parte mais difícil de ter uma banda é conseguir e manter a atenção de alguém. Acho que dar o nosso EP de graça e divider tudo que fazemos é uma maneira de fazer isso acontecer.

Tem essa música, I Want a House, na qual a cantora expressa o desejo por uma casa na qual ela vá morar com o namorado. Onde os membros da banda moram, e com quem?

Eric: Nós todos quase vivemos juntos em algum momento. A Andrea e o Bryan moravam numa casa muito velha em East Setauket, Long Island, há uns anos. Então eu e ela moramos juntos no apartamento porão que mencionei. Era o piso de baixo de uma casa que eu cresci. Foi quando consideramos seriamente tocar juntos como uma banda de cinco pessoas. Quase todo o nosso EP foi gravado lá, e nossos ensaios também. Gabe e Bryan vinham e dormiam no chão por dias no último verão.

Agora o Bryan e eu moramos em Crown Heights, no Brooklyn, o Dev fica a uma viagem de ônibus de distância, em Bushwick. O Gabe e a Andréa moram a uma hora do Brooklyn, que é onde nós nos encontramos para ensaiar.

26 de maio de 2009

não é carne nem peixe #16 - yeasayer



Entrevista com Yeasayer (Chris Keating), por Felipe Gutierrez.

Quem disse que o Yeasayer é Enya com uma batida (“Enya with a bounce”), que é a descrição da banda no Myspace?

Enya com uma batida? Esqueci quem disse isso. Mas eu gosto… Eu gosto da Enya, e ia gostar mais se fosse possível dançar ao som dela.

Na imprensa brasileira vocês foram colocados num conjunto de novas bandas que usam sons de diferentes culturas numa música moderna, up-to-date. Era essa a intenção? E quais outras bandas vocês acham semelhantes ao Yeasayer, se é que alguma realmente o seja?

Nós achamos que estamos fazendo música num mundo que está ficando menor e menor, e que só parecia lógico que deveríamos pegar referências de onde pudéssemos. A intenção era fazer música que refletisse o conceito de globalização (o bom e o ruim) e levasse em conta a facilidade com que a música viaja, pela internet, para todos os cantos do globo.

Não sei quais as intenções e filosofias por trás da música de outras bandas, mas o Brooklyn é o lugar mais empolgante para fazer música neste momento, e tem muita gente talentosa tentando superar as fronteiras sônicas.

Vi a sua performance no La Blogotheque. Vocês estavam um tanto relutantes?

Nós estávamos relutantes para a performance do Blogotheque só porque foi depois de um show em Paris, e a última coisa que queríamos fazer depois do show era um outro show. Nós tentamos dar tudo em todas as apresentações e geralmente isso me deixa acabado. Eu não toco em festas pós-show porque estou completamente esgotado e minha voz fica rouca. Nesse caso, porém, eu já conhecia as Take Away Performances, e as achava brilhantes, então decidimos por fazer a nossa. Hoje estou muito feliz pela decisão e acho que o Vincent Moon é um grande diretor, que trabalha de uma maneira muito contemporânea.

11 de maio de 2009

não é carne nem peixe #15 - health



Entrevista com Health (Jake Duzsik), por Felipe Gutierrez.

Você pode explicar o que é o Zoothorn (instrumento inventado pela banda) para alguém que não sabe nada sobre instrumentos?
É um microfone ligado à pedais de guitarra e depois à um amplificador. É só trocar a guitarra por um microfone.

Los Angeles é o novo Brooklyn?
Definitivamente não. Maçãs e laranjas.

Quem merece morrer devagar?
Vários trouxas.

O Júpiter (guitarrista e vocalista) realmente se chama Jupiter?
Sim. Na certidão de nascimento dele. O nome da mãe dele é Jane Purple.

8 de maio de 2009

não é carne nem peixe #14 - videohippos



Entrevista com Videohippos (Kevin O'Meara), por Felipe Gutierrez.

Os shows da banda são cheios de projeções. Vocês escolhem as imagens? Se a resposta for “sim”, qual o critério para definir uma imagem?
Nossos sets sempre incluem projeções de vídeo sincronizadas com a música. Os vídeos são normalmente feitos por nós, mas também podem ser de amigos (Meredith Moore, Chris Lineberry). Eles são colagens cuidadosamente construídas de uma grande variedade de imagens e gravações que têm alguma relação com a música, ou às vezes só personagens ou cenas que têm uma influência sobre nós. Por exemplo, o vídeo que acompanha a canção “Shadow Pups” contém imagens do Incrível Hulk, um ogro, tanques de exército, mísseis de desenho animado e raios. “One Speed” tem símbolos de maçonaria escondidos, desenhos Tesla, e o George Bush dando o dedo do meio. As imagens, normalmente, não se relacionam diretamente às letras, mas ajudam a transmitir um sentimento ou um tema. Geralmente as imagens vêem de antigas fitas VHS que estavam paradas ou que achamos em alguma loja de coisas de segunda mão, ou da internet.

Vocês são amigos de outros artistas de Baltimore? Quais?
Baltimore comporta uma grande comunidade de artistas, seria difícil nomear todos aqueles que são nossos amigos. Mas alguns dos mais próximos são: Max Eisenberg (aka DJ Dog Dick), Meredith Moore, Dan Deacon, Jimmy Joe Roche, Dina Kelberman, Twig Harper + Carly Ptak (Nautical Alamanac), Robby Rackleff (aka Blue Leader), Mark Brown, D'Metrius Rice, Ed Schrader, Nolen Strals + Bruce Willen (Post Typography/ Double Dagger), Devon Diamond + Matt Papich (WildfireWildfire), Ponytail, Future Islands, Jana Hunter, Teeth Mountain, the Creepers, Santa Dads, OCDJ, Lizz King, Beach House, Lexie Mountain Boys, Lesser Gonzalez Alvarez, Roby Newton, Rjyan Kidwell (CEX), Height, Jones, Charlotte Benedetto, e sei que estou esquecendo alguém.
Nós fizemos muitos amigos quando nos envolvemos com o grupo Wham City, em 2005, e nós fizemos ainda mais quando participamos nas duas encarnações do Baltimore Robin Tour, em 2006 e 2008.

Vocês têm problemas com blogs que postam suas músicas? Vocês fazem buscas do seu próprio nome em sites como o Hype Machine ou o Elbo.ws?
Sou definitivamente a favor da distribuição gratuita de músicas pela internet, desde que as pessoas ainda possam comprar nosso disco em vinil!
Eu não passo muito tempo na internet, exceto para checar o meu e usar o Google e a Wikipedia para aprender coisas novas, mas acho bom que os blogs existam e que as pessoas os leiam. Nós precisamos de quantas fontes de informações pudermos alcançar.

Você leu alguma coisa sobre o Videohippos que não fazia sentido?
Às vezes as resenhas são um pouco viajantes com a linguagem e as comparações, mas não me lembro de ter lido nada que era completamente sem sentido. Bem, talvez na resenha da SPIN que nos comparou a uma pílula de ecstasy. Eu não entendi aquilo.

Qual a melhor parte se ser uma dupla?
Tem várias vantagem em ser uma dupla, mas acho que a maior é não ter que lidar com muitas questões de personalidades conflitantes. É muito mais fácil tomar decisões e fazer as coisas. Isso sem mencionar o espaço na van.

23 de abril de 2009

não é carne nem peixe #13 - dark disko republik



Entrevista com Dark Disko Republik (André Posh), por Felipe Gutierrez.

O que você fazia em 84?
Hmmm, eu tinha 6 anos, estava no pré. Escovava os dentes naquelas pias coletivas. Não sei pq me lembro só disso.

Você já fez uma performance dançante sem música?
Esse nome é uma metáfora brega pro fim de um relacionamento. Você continua sua vida mas ela fica bem mais sem graça.

E você viu que agora o Rio de Janeiro quer copiar Berlim e por isso está construindo uns muros?
Vi na TV, mas realmente não entendi. Só ouvi dizer que o povo da "comunidade" até aprova.

Você está tratando bem o Ricardo?
Ricardo é uma das pessoas mais doces do Universo, ele tem aquela cara fechada, mas é um baita amigo. E tenho que dizer, um músico genial.

Quem fez esses videos incríveis que estão no Myspace?
O de "Dance..." foi o Dilson, amigo do Fábio. O de "Lost..." foi o Dácio Pinheiro, ele já fez videos pro Monokini e tem vários curtas hypados por aí.

Quando vocês compõem, se preocupam em fazer canções melódicas? A maioria das músicas são assobiáveis...
Hmmm, a letra de Disko 84 é do Ricardo, acho nossa melhor melodia disparado, se bobear nossa melhor música até agora. Super! é do Fábio, ela tem uma vibe shoegazer, embora seja nossa música mais dançante. As outras letras são minhas, geralmente surge uma frase na minha cabeça e eu vou desenvolvendo a letra sobre ela. Lost, Deaf and Alone por exemplo surgiu da frase "My thoughts are racing ahead my hands". Vou construindo rimas por cima disso. Algumas são bem bregas aliás. Eu respondi a pergunta?

E a última pergunta: Hot Chip ou Elliot Smith?
Hot Chip com certeza, embora eles tenham ficado famosos com as músicas mais bobinhas, eu acho o Made in the Dark tão revolucionário quanto o Dare! do Human League. Timbres de outro planeta, melodias lindas. Tem um b-side chamado Bubbles They Bounce que é genial.

9 de março de 2009

não é carne nem peixe #12 - shiksa



Entrevista com Shiksa (Matheus Leston), por Felipe Gutierrez.

O que significa Shiksa?
Originalmente "Shiksa" é uma mulher não judia. Mas virou um termo pejorativo, usado muitas vezes pra chamar as empregadas de uma casa.

Quem escreve as letras?
Todo mundo.

É deliberada a proposta de fazer letras irônicas e músicas experimentais?
Não sei se é ironia. Ironia tem algo de falar uma coisa querendo dizer outra. O que a gente faz é tentar construir vozes verdadeiras, que muitas vezes não concordamos.

Você tem algum problema crônico de saúde? Caso de diabetes na família?
Por parte de pai, uma tia já falecida, e por parte de mãe, um primo.

20 de fevereiro de 2009

não é carne nem peixe #11 - blood music



Entrevista com Blood Music (Karl Jonas), por Felipe Gutierrez.

Por que o nome é Blood Music?

Oh...por várias razões, algumas melhores do que outras...Para resumir, eu estava no hospital há uns anos enquanto meu primeiro disco estava sendo feito. Tive vários problemas sérios de operações por causa de um aneurisma cerebral. Então, enquanto eu estava deitado na cama, eu tentava pensar em algo sobre o disco que eu fazia e as enfermeiras e médicos vinham e me diziam coisas sobre meu sangue...porque eu tinha que checar o meu sangue o tempo todo para ver se estava tudo bem...sangue e música eram os grandes assuntos da minha vida, então. Ainda é, mas agora é mais música do que sangue.

Você pode falar um pouco da sua formação musical?

Eu toquei piano por meio ano quando eu tinha 12. Tinha um professor de piano na minha escola, mas ele perdeu as esperanças por mim. Eu não fazia minha lição de casa. Eu gostava de sentar no piano e improvisar e brincar e fazer minhas próprias canções, mas na hora das lições e tocar as notas, eu era preguiçoso e pouco inspirado. Daí parei de tocar.

Comecei a atuar e trabalhei numa loja de música. Música ainda era meu grande interesse. Mas eu só escutava discos como um fã.

Então encontrei Jenny Wilson em Malmö, no sul da Suécia, e nos apaixonamos e decidimos começar uma banda. Sentíamos que a cena de música sueca prescindia algo imprevisível e excitante no momento. Então começamos o First Floor Power.

Comprei um órgão caseiro e barato e ela comprou uma guitarra. A gente ficava acordado toda a noite e escrevíamos canções. Pedimos à irmãzinha da Jenny, a Sara, para se juntar e tocar baixo. Isso foi antes de 2000. Então conseguimos um contrato de disco num selo alternativo bem legal e progressista chamado Silence Records, e eles lançaram nossos dois primeiros discos. O terceiro, "Don't Back Down" foi lançado no ano passado. Então o First Floor Power está vivo. Mas no tempo em que eu estava no hospital nós demos um tempo e nessa época e senti que precisava fazer algo completamente meu, musicalmente...então decidi que meu projeto solo seria Blood Music.

Desculpe se eu as interpreto erroneamente, mas as canções que ouvi são de humor. Você se acha uma pessoa de bom humor?

Espero que sim. Mas é difícil dizer. Pergunte à minha namorada...não, não pergunte a ela! Não, sério, fico contente que alguém no Brasil ache (as canções) bem humoradas.

E 2009?

Oh, o ano das mudanças. Eu tive um filho no Natal e isso mudou o meu mundo em muitas maneiras. Ele é incrível e me deixa acordado toda a noite. Eu gravei tudo menos os vocais para o novo disco do Blood Music (o terceiro) e me sinto muito bem com isso. Tem esse clima de banda solta, porque gravamos quase tudo ao vivo. E os músicos são os meus favoritos. Então esse ano eu vou ficar em casa para terminar o disco e lançar antes do fim do ano.

Acho que 2009 é um ano bom. Um monte de coisas ruins acontecem pelo mundo, mas vejo vários raios de luz e esperança.

Você já esteve apaixonado por alguém e teve que fingir que não estava?

Sim. Tudo na canção oct/nov é baseado na verdade. Se não minha, na de alguém. Mas vou responder a pergunta de novo: sim.

Tantas bandas boas apareceram na Suécia recentemente. É possível ser um artista independente e viver uma vida confortável aí?

Hmmm...temos sem teto nas grandes cidades, e claro que a Suécia é muito fria no inverno. Mas a maioria dos suecos vive uma vida confortável. Temos um sistema de seguridade social que é OK, se você fica doente e termina no hospital, isso não vai te arruinar financeiramente.

Musicalmente tem muitas bandas bacanas no momento. Acho que algumas podem viver muito confortavelmente de música. Mas eu, como muitos outros, faço trabalhos extra para fazer o trabalho da minha vida. Tive muitos trabalhos assim. Agora trabalho num cinema. Aliás, acabamos de exibir "Tropa de Elite" aqui. Era bom. Muito violento.

Oh, por favor, deem uma olhada nessas bandas de amigos meus:

http://www.myspace.com/assmyass
http://www.myspace.com/goldmedalrecordings
http://www.myspace.com/wildbirdsandpeacedrums

10 de fevereiro de 2009

não é carne nem peixe #10 - cidadão instigado



Entrevista com Cidadão Instigado (Fernando Catatau), por Felipe Gutierrez.

O seu público é sofisticado. Por que você acha que ele se identifica com temáticas de gente simples (como dentes de ouro ou "os urubus só pensa em te comer")?

Nem sei se meu publico é sofisticado. Talvez seja. Na minha cabeça é porque a música não tem fácil acesso a todas as pessoas. Se tocasse em rádio, no mínimo as pessoas teriam a opção de escolha pra saber se gostam ou não, mas esse é o mal do mercado fonográfico em geral. Enfim...não reclamo muito do que tenho, não. Quem se interessa e gosta, procura e acha.

Você é amigo do Rodrigo Amarante, certo? Tem conversado com ele agora que ele é "gringo"? E você pensa em tentar uma projeção no exterior?

Eu sou muito amigo do Rodrigo e converso com ele sempre. Não acho que ele tenha se tornado "gringo". Pelo menos não noto diferença. Continua sendo o Rodrigo que conheço. Simples e honesto. Em relação ao Cidadão no exterior, nós já tocamos poucas vezes na Europa. Vamos na homeopatia. Não temos disco lançado lá fora, mas tem bastante gente que conhece já.

O "Método Tufo (...)" já vai completar quatro anos. Você está com disco novo para sair? Se a resposta for positiva, pode falar um pouquinho do disco?

Começamos o processo do disco novo. Deve ser lançado no meio do ano. Tem várias músicas que já tocamos ao vivo. Ainda está tudo se resolvendo, mas tenho gostado bastante.

Você escreveu sobre o preconceito em algumas de suas canções. Depois do reconhecimento da crítica, você acha que alguma coisa mudou?

Preconceito sempre vai existir. Isso é natural do ser humano. Iluminado é aquele que aos poucos e com o decorrer da vida vai se desvencilhando dessas coisas, mas no geral é comum. Hoje em dia as coisas estão melhores pra nós, sim, mas mesmo assim é tudo muito lento. Poderíamos fazer mais shows. Isso seria perfeito. Correr o Brasil todo, mas a lentidão é necessária e tá tudo certo.

2 de fevereiro de 2009

não é carne nem peixe #9 - xiu xiu




Entrevista com Xiu Xiu (Jamie Stewart), por Felipe Gutierrez.

A tortura é uma questão importante para os brasileiros e, enquanto o Bush estava a Casa Branca, também foi para os americanos. Adoro Guantanamo Canto. Na letra, você canta sobre os filhos dos que foram presos naquela prisão. O verso é "e seu filho vai crescer para nos matar". Você acha que agora, que o Obama mandou fechar Guantánamo, essa situação que você descreve pode, de alguma maneira, ser prevenida?

Bem, mesmo com o fechamento de Guantanamo (graças a Deus), ainda tem o Iraque, ainda tem o Afeganistão, ainda tem a história dos EUA na América Central, ainda tem a devastação ambiental, ainda tem toda a história da CIA, a opressão de pessoas de cor nas cidades interiores dos EUA.

Os EUA tem uma quantidade imensurável de sangue nas mãos. Acho que existe uma possibilidade de uma melhora em relação à gente pelo mundo dependendo do que o Obama realmente fizer, mas num nível individual, que alguém possa perdoar um governo e um país que é responsável por a morte de uma pessoa querida por causa de cobiça é inatingível. Pode ser um novo dia para nós que queremos fazer a coisa certa. Espero que ele tenha a habilidade.

Você já fez um cover dos Smiths e também de Under Pressure. O que nos anos 80 te atrai tanto?

Bem, era quando eu era jovem! Nasci em 1972 e minha adolescência foi nessa época. Como é comum com muita gente, a música que as envolve quando a cabeça e o coração estão sendo formados é a que as queima para sempre.

E também foi um período de tremenda criatividade. Havia novas expressões e combinações de expressões sendo criadas pelo período. Parece que era um tempo para se brincar com gêneros, emoções elevadas, internacionalismo, nova eletrônica, honestidade e política. Todas essas coisas são muito significantes para mim e acho que por ter crescido nesse tempo, elas tem um apelo absoluto. Tenho muitos amigos que são muito mais jovens do que eu como um resultado de estar no (negócio da) música e as canções que enchem as pistas de dança e animam as festas são todas dessa época.

Às vezes suas canções mudam de um tom delicado para um ruído experimental – e às vezes é o contrario, como em In Lust You Can Hear the Axe Fall. É bonito, porque você realmente sabe o que é delicado se tem "violência" perto. É esse o propósito? Uma estrutura chiaroscuro?

Não sou a pessoa certa para perguntar. Acho que é uma ideia ruim desconstruir qualquer coisa que tentamos fazer. Se funciona, acho que é muito, muito gratificante, mas sabendo porque algo funcionou, devido à minha insegurança e personalidade obsessiva, vai levar à reflexões excessivas e a uma implosão horrível.

Em relação à canção, não sou suficientemente esperto para fazer um paralelo entre chiaroscuro e música à frente do tempo. Todos na banda simplesmente tentam escutar e colocar seus sentimentos na música.

Você pode nos contra algo sobre 2009?

Estamos trabalhando num disco para 2010. Entrei numa nova banda, com meu amigo Freddy Ruppert, chamada Former Ghostos, e nós estamos trabalhando num disco novo. Estou fazendo uma série de subscrição de música ambiente, experimental e minimalista e também fazendo um tour solo pelos EUA e pela Europa. E também alguma colaborações como Prurient, Los Campesinos, Parenthetical Girls e com a Mary, do High Places.

26 de janeiro de 2009

não é carne nem peixe #8 - stephanie toth

Entrevista com Stephanie Toth, por Felipe Gutierrez.

stephanie toth

Qual foi o seu disco preferido de 2008?

Se o Conor Oberst and the Mystic Valley Band não tivesse sido lançado, eu diria Fleet Foxes.

Li uma reportagem na qual estava escrito que você "nunca gostou muito do Brasil". Não quero ser chatinho nacionalista, mas não há nada na música brasileira que você goste?

Sim, há. Gosto de Mombojó, Los Hermanos - além de Homiepie e Holger, claro.

Você acha que os jornalistas e críticos te tratam com uma certa condescendência por causa da sua idade? E o público?

Cansei de ouvir falar da minha idade. Não deveriam, mas se quiserem ser condescendentes, que sejam.

Hot Chip ou Elliott Smith?

Wow. Elliott Smith! Não acredito que você me fez essa pergunta. Haha.

22 de setembro de 2008

não é carne nem peixe #7 - vivian girls

Entrevista com Cassie Ramone, das Vivian Girls, por Felipe Gutierrez.

vivian girls

O primeiro disco de vocês saiu só em vinil que depois também ganhou uma versão em CD. Vocês gostam de mais, e por quê?
Vinil. Nós somos todas colecionadoras de discos. Na verdade, estou no processo de me livrar de todos os meus CDs. Discos são mais bonitos, mais bacanas e têm som melhor.

Vi as datas de shows na sua página do Myspace e vocês tem uns 50 shows até o fim do ano Você acha que vai cansar?
Provavelmente. Mas não ligamos. Amamos fazer turnês e é por isso que fazemos o tempo todo.

O NY Times disse que no fundo vocês são românticas. Vocês são, realmente?
Sim. Infelizmente.

Vocês têm projetos solos? Se sim, quais são eles?

Eu tenho uma banda chamada Peaced Out com meu amigo Ryan. Até agora é só um projeto para gravações - é um som stoner meio estranho cheio de kams com reverb. A (Kickball) Katy (baixista e vocalista) e a Ali (baterista) tinham uma outra banda chamada The Pot and The Kettle, que era de punk lo-fi bem pegajoso.

1 de setembro de 2008

não é carne nem peixe #6 - constantina

Entrevista com Daniel Nunes, do Constantina, por Felipe Gutierrez.

constantina

Como seus fãs ficaram conhecendo o trabalho do Constantina? Vocês sabem se tem gente de outros países que ouve também?

Acredito que isso seja uma longa história... A banda já faz quatro anos de muita batalha, shows, internet, boca a boca...Isso tudo nos favoreceu, acredito que os shows tenham sido primordiais, pois sempre pensamos em uma postura diferente das que vemos nos palcos. A cada show temos um tipo de decoração, isso serve para ilustrar um pouco mais nossas músicas, pois acredito que elas sejam bastante imagéticas...Penso que as pessoas que vão aos shows se surpreendem ao verem sempre uma nova forma de mostrar...Acreditamos que sempre temos que nos inovar, mas isso não só para o público, com certeza é para a gente também. Com o advento dos shows entra o papel da internet. As pessoas que gostam dos shows entram na internet e começam a divulgar o trabalho, acredito que isso aconteça de uma forma natural, pois fazemos o que gostamos, sem pensar em viver disso, entende? E a partir daí se o trabalho é legal, novas pessoas irão se interessar, pois a internet nos proporcionou isso, divulgar nossas músicas em qualquer lugar do mundo.

Sobre a segunda parte da pergunta: Sim, existem pessoas que nos falamos sempre, e elas nos contactam perguntado quando iremos tocar no país delas, e isso é muito positivo para o nosso trabalho, pois é realmente muito verdadeiro quando se compartilha algo que gosta com pessoas que se interessam pelo teu trabalho. Recentemente andamos conversando sobre uma possível ida a Argentina, pois existem muitas pessoas de lá que nos perguntam quando iremos para lá, então pensamos em começar a olhar algo por lá. Ainda não temos nada definido mas já iniciamos alguns contatos. Se tivermos algo realmente fechado iremos divulgar pelo Myspace. As coisas ainda acontecem um pouco lentas no meio independente, pois nunca temos verbas suficientes para dar um grande salto, mas com ajudas de todos os lados, com certeza conseguiremos algo bem legal.

De uns anos pra cá, é mais comum aparecerem ótimas bandas sem vocais. Por quê?

Parece ser uma tendência e eu realmente não sei o porquê. Ou talvez tenha um (motivo), mas não seja o "verdadeiro". O Constantina é minha segunda banda instrumental, e eu optei por ter uma banda instrumental pois queria fazer algo mais livre, sem limitações de formas musicais, algo em que pudéssemos experimentar novos elementos até então não presentes em minha música, e acredito que a música instrumental seja um modo de trabalhar todas esses parâmetros.

25 de agosto de 2008

não é carne nem peixe #5 - high places

Entrevista com Mary Pearson, do High Places, por Felipe Gutierrez

high places
Como vocês se conheceram? Foi doce?
Eu e o Rob nos conhecemos em dezembro de 2005 quando um amigo mútuo, Beau Velasco (o fundador do Death Set e roadie do Japanther), nos apresentou num show do Death Set em Nova Iorque. Eu estava visitando Nova Iorque, eu era de Michigan. Nós atravessamos a ponte de Williansburg até o Brooklyn e eu disse à Rob que eu organizaria um show para ele e a dupla Matt & Kim em Michigan. Nós somos amigos próximos desde então. Eventualmente eu acabei a faculdade e perguntei ao Rob se ele precisava de um colega de apartamento. Me mudei para o Brooklyn em maio de 2006 e nesse mesmo mês começamos o High Places.

Vocês ouvem os discos da Sublime Frequencies?
Sim! Ambos adoramos a maneira real daquelas gravações. Dá para ouvir muitos barulhos ambientes em volta da música. Eu também ando ouvindo muitos discos antigos de blues pela mesma razão. Tem algo melancólico e bonito na maneira ruidosa da qualidade do som.

Quando vocês escrevem canções, vocês tentam deixá-las simples? E por que há tantas bandas legais que compõem músicas simples atualmente?
Não acho que a simplicidade seja um objetivo para a gente. Queremos fazer algo que soe familiar e melancólico sem ser previsível ou clichê. Estruturamos nossas gravações até que uma música tome forma a partir da loucura toda.

Da onde vem o nome? Vocês gostam de lugares baixos?

"High Places" refere-se a estar possibilitado a olhar em volta e ver as coisas de um ponto vantajoso. Para nós, representa os lugares e locações onde nos sentimos invencíveis, gratos e inspirados. Literalmente, lugares baixos são como vales, são ótimos também, mas eles definitivamente fazem com que você olhe muito para o alto. Se eu pudesse escolher entre ser altíssima ou muito baixinha, escolheria ser super alta. Mais, tem aquela canção terrível sobre amigos em lugares baixos. Fico feliz porque o nome da nossa banda não é Low Places.