Em 2009 o Justin Vernon anunciou um hiato indefinido do seu projeto Bon Iver. Ninguém sabia o que aconteceria e se voltaríamos a ouvir alguma novidade do cara.
Agora, depois de um pouco mais de um ano e meio, Justin está de volta com um novo disco homônimo, gravado em um período de três anos no Wisconsin, com vários colaboradores.
O primeiro single, Calgary, já ganhou um clipe não oficial feito por um fã empolgadão com o novo álbum do Bon Iver.
Em janeiro, o Justin Vernon, também conhecido por seu projeto Bon Iver, Annie Clark, voz por trás do St. Vincent, e Brad Cook, do Megafaun, se juntaram sob o nome Songer Singwriter para se apresentarem em um show beneficente para arrecadar dinheiro para o Haiti.
Entre as várias músicas lindonas que eles tocaram está esse cover de Harvest Moon, do Neil Young. Saca só:
Tem gente que vai chorar sangue com essa notícia (como diria a Gigi, do AlanDelon).
O Justin Vernon, nome por trás do Bon Iver, aproveitou um show que a banda estava fazendo em São Francisco, na última terça-feira, para dizer que essa seria a última turnê deles.
Pronto! Assim mesmo, sem nada a acrescentar. Ele não falou se o hiato seria temporário ou definitivo, e nem comentou sobre qualquer projeto paralelo.
Eles ainda têm alguns shows pela frente, antes do final da turnê, mas aí vai um vídeo do Bon Iver ao vivo no Lollapalooza desse ano, para matar a saudade antecipadamente.
Já deixei claro aqui no blog que sou fanático pelo senhor Justin Vernon, vulgo Bon Iver. Esse MP3 do Dia aqui foi um dos textos mais imparciais da minha vida. Coisa de groupie mesmo.
Pois quando li que ele tinha formado uma nova banda, Volcano Choir, que abrangeria “David Sylvian e Steve Reich a Mahalia Jackson e Tom Waits”, fiquei eufórico. Bon Iver + Steve Reich?!? Sabia que o homem curtia uns experimentos (sem maldades), mas não nesse grau. E a mistura na minha cabeça ainda não fazia sentido. A curiosidade, claro, virou ansiedade.
Hoje, saciei a curiosidade. A mistura fez sentido. O primeiro single da banda, também composta por membros do Collections of Colonies of Bees, é o exato ponto médio entre as duas partes. A repetição e a sobreposição de camadas de Reich, aquecidas pela voz e o violão de Vernon. Técnica e sentimento, a um só tempo. Gênio, gênio, gênio.
No remoto Wisconsin, terra do queijo e da neve, neve, neve, Justin Vernom ficou sozinho. Um ermitão na tundra, lenhador durante o dia, músico ridiculamente sensível à noite. Coisas simples, ele queria. Lenha e violão; o toque da madeira, reconfortante, diante do isolamento absoluto e os fantasmas que este traz.
Do silêncio, surgiu uma voz que ele nem sabia ter, destilando conclusões há muito tardias. Finalmente, tinha o tempo para colocar cada pensamento e nota no lugar, e encontrar a beleza no fim das coisas.
For Emma, Forever Ago, símbolo de um relacionamento terminado, é o primeiro disco de Justin Vernom como Bon Iver, e uma daquelas raras obras autorais, intrusivas como polaroids da alma do artista. E o que existe dentro de Vernom é de uma beleza irrefutável. Reduzir a mero folk a meticulosa ambiência criada aqui, de métrica, ruídos e harmonias vocais entre ecos e falsetes, seria um desserviço.