Desculpa aí gente... dei uma barrigada com o Late Of The Pier. É isso que acontece quando você tenta fazer as coisas correndo no intervalo do trabalho.
Sorry!
6 de fevereiro de 2009
5 de fevereiro de 2009
panela velha: arthur russell

Arthur Russell viveu pouco, mas fez mais do que eu, você e todo mundo juntos. Após uma infância de reclusão no interior, acabou se mudando para Nova York, onde finalmente descobriu, na arte e nas pessoas, quem era. Foi lá que deixou de ser apenas um freak, essa simplificação provinciana que suprimia seus outros adjetivos: visionário, louco, gay, complexado, genial. Sua auto-restrição tornara-se desnecessária. Agora, sua insaciável curiosidade prosperava em possibilidades: folk, eletrônica, música indiana, cello clássico, poesia, performance e a cena disco nova-iorquina... Arte corrompendo a música corrompendo a arte.
Russell morreu cedo (1992, 41 anos, AIDS), mas ainda lança um disco inédito por ano. Deixou um acervo de milhares de músicas nunca lançadas, cortadas ao meio, justapostas entre si, rabiscadas e revisadas freneticamente. Hoje, quase duas décadas depois, sua obra ainda é vanguardista. Sua mente estava sempre adiante, já tinha experimentado o presente dos outros. Sua intensidade, quântica, acelerou o tempo.
[MP3: arthur russell - planted a thought]
do álbum love is overtaking me (2008)
Acaba de sair no exterior um documentário sobre o homem, Wild Combination: A Portrait of Arthur Russell. Queria poder acelerar o tempo para pegar o torrent.
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errata
Só vi agora o coco-côco-cocô no MP3 do Dia do Eternal Summers. Tenho que parar de revisar as coisas somente 5 dias depois. Duh.
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4 de fevereiro de 2009
3 de fevereiro de 2009
christian bale dá piti e quem aproveita é o mae shi

O Christian Bale, que já tinha se metido em uma baita confusão no ano passado, quando foi acusado de agressão pela mãe e a irmã, aprontou mais uma.
Ontem foi divulgado o áudio de um piti que o ator deu para cima de um diretor de fotografia, durante as filmagens de Terminator Salvation. O motivo: o cara ficou parado atrás da cena, apareceu em quadro e acabou arruinando a tomada.
Bom, baixarias a parte, o Mae Shi foi rápido no gatilho e fez uma música em "homenagem" ao chilique, que levou o nome de R U Professional, usando trechos do áudio original do Christian Bale.
Alguém dá um chá de camomila para esse moço, urgentemente!
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fluxus #2 - song one, two & three

Assistiu a Paranoid Park, sozinho, ou com a namorada, um copo de suco de manga na mão, de tão doce, transe, o sobe e o desce do skate, poesia junkie, impressionante, quem diria? Toca o telefone, desliga, pensando quando e onde vai comprar a sua prancha, para balançar o fim de noite. Se está sem companhia, aperta o rewind, alto, doze vezes, tem superstição, prefere quando a soma é 3. Desliza a cabeça, para trás, para frente, confortável no deck, destino com e sem eixo, ao mesmo tempo, trucks, trucks, trucks, esse tapete voador, o céu tão mais perto, o peito tão mais longe. E Mr. Van Sant acerta de novo, em cheio; você domado, dopado: a música redonda emoldurando a vida quadrada.
Ethan Rose, Ethan Rose, Ethan Rose. Você, que mora em Portland e descobriu um aparelhinho ruidoso na casa dos avós, em 74, que ficou sem graça no dia do primeiro beijo e pediu uma segunda chance, que nunca veio, Ethan Rose; precisamente você, que persegue o som do vento que corre do outro lado da janelinha do avião, fantasiado de piloto, faux, faux, faux; nada precisa ser real, sendo (caramba!) de verdade; nem imagina, Ethan, mas estamos falando de você.
Rodrigo Maceira
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2 de fevereiro de 2009
mp3 do dia - starfucker

O nome da banda inspira uma certa agressividade, mas a música não poderia ser mais afável. Os sussuros quase pedem desculpas, como se estivessem envergonhados pela intromissão fisiológica do groove de Rawnald Gregory Erickson The Second. É uma daquelas canções que fazem a cabeça balançar involuntariamente - quem manda aqui sou eu! -, sem precisar fazer um escândalo.
Trata-se de mais uma das muitas facetas mostradas pelo Starfucker em seu disco de estreia, Starfucker (2008). 11 músicas que passam por Spinto Band, Unicorns e Olivia Tremor Control, e se alojam na cabeça. Pop simples, sem ser ordinário.
[MP3: starfucker - rawnald gregory erickson the second]
do álbum starfucker (2008)
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não é carne nem peixe #9 - xiu xiu

Entrevista com Xiu Xiu (Jamie Stewart), por Felipe Gutierrez.
A tortura é uma questão importante para os brasileiros e, enquanto o Bush estava a Casa Branca, também foi para os americanos. Adoro Guantanamo Canto. Na letra, você canta sobre os filhos dos que foram presos naquela prisão. O verso é "e seu filho vai crescer para nos matar". Você acha que agora, que o Obama mandou fechar Guantánamo, essa situação que você descreve pode, de alguma maneira, ser prevenida?
Bem, mesmo com o fechamento de Guantanamo (graças a Deus), ainda tem o Iraque, ainda tem o Afeganistão, ainda tem a história dos EUA na América Central, ainda tem a devastação ambiental, ainda tem toda a história da CIA, a opressão de pessoas de cor nas cidades interiores dos EUA.
Os EUA tem uma quantidade imensurável de sangue nas mãos. Acho que existe uma possibilidade de uma melhora em relação à gente pelo mundo dependendo do que o Obama realmente fizer, mas num nível individual, que alguém possa perdoar um governo e um país que é responsável por a morte de uma pessoa querida por causa de cobiça é inatingível. Pode ser um novo dia para nós que queremos fazer a coisa certa. Espero que ele tenha a habilidade.
Você já fez um cover dos Smiths e também de Under Pressure. O que nos anos 80 te atrai tanto?
Bem, era quando eu era jovem! Nasci em 1972 e minha adolescência foi nessa época. Como é comum com muita gente, a música que as envolve quando a cabeça e o coração estão sendo formados é a que as queima para sempre.
E também foi um período de tremenda criatividade. Havia novas expressões e combinações de expressões sendo criadas pelo período. Parece que era um tempo para se brincar com gêneros, emoções elevadas, internacionalismo, nova eletrônica, honestidade e política. Todas essas coisas são muito significantes para mim e acho que por ter crescido nesse tempo, elas tem um apelo absoluto. Tenho muitos amigos que são muito mais jovens do que eu como um resultado de estar no (negócio da) música e as canções que enchem as pistas de dança e animam as festas são todas dessa época.
Às vezes suas canções mudam de um tom delicado para um ruído experimental – e às vezes é o contrario, como em In Lust You Can Hear the Axe Fall. É bonito, porque você realmente sabe o que é delicado se tem "violência" perto. É esse o propósito? Uma estrutura chiaroscuro?
Não sou a pessoa certa para perguntar. Acho que é uma ideia ruim desconstruir qualquer coisa que tentamos fazer. Se funciona, acho que é muito, muito gratificante, mas sabendo porque algo funcionou, devido à minha insegurança e personalidade obsessiva, vai levar à reflexões excessivas e a uma implosão horrível.
Em relação à canção, não sou suficientemente esperto para fazer um paralelo entre chiaroscuro e música à frente do tempo. Todos na banda simplesmente tentam escutar e colocar seus sentimentos na música.
Você pode nos contra algo sobre 2009?
Estamos trabalhando num disco para 2010. Entrei numa nova banda, com meu amigo Freddy Ruppert, chamada Former Ghostos, e nós estamos trabalhando num disco novo. Estou fazendo uma série de subscrição de música ambiente, experimental e minimalista e também fazendo um tour solo pelos EUA e pela Europa. E também alguma colaborações como Prurient, Los Campesinos, Parenthetical Girls e com a Mary, do High Places.
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