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24 de agosto de 2010

Especial Javelin: Conversamos com a dupla americana sobre criatividade, lugares fictícios e o show deles por aqui. Veja a entrevista!

Na expectativa pelo show do Javelin, dia 28, no Estúdio Emme, fizemos uma entrevista com o Tom Van Buskirk, metade da dupla. Para saber mais do show e do projeto Under30 Series, confira este post aqui.


 foto: http://brooklynvegan.com

Para começar, qual é o lance do Javelin?

Ouvir discos antigos, estranhos e obscuros, e tentar se divertir ao máximo, seja loucamente ou na boa.

Lembro-me de ouvir a sua música pela primeira vez e pensar: isso soa tão original e tão nostálgico ao mesmo tempo! É díficil distinguir se um certo som é de uma música velha, um instrumento tocado por vocês ou alguma nova geringonça digital. Este paradoxo é algo que vocês buscam deliberadamente? vocês queriam criar uma era só de vocês?


EU acho que você está no caminho certo. Qualquer pessoa que grava música está criando um lugar fictício - a maioria dos discos que ouvimos não existe no mundo real. Este nosso lugar fictício inclui tempo e era, com certeza.

Vocês parecem ser apaixonados por ideias, improvisando nas suas performances ao vivo e bolando coisas incríveis como a transmissão em FM para boom boxes e as capas de vinis de sebo silkados. Vocês se enxergam como dois caras criativos que por um acaso estão em uma banda?

Nós somos pessoas criativas com uma tendência a fazer musica. Aprendemos com outros tipos de
criativos que, para usar todo o potencial da sua criatividade, é necessário ir além da música somente. Nós definitivamente ficamos empolgados com ideias tão frequentemente quanto ficamos por sons.

Uma referência legal para ilustrar esta criatividade: a XLR8R desafiou a dupla a criar uma música em uma tarde só, usando somente o equipamento de turnê e fitas cassete de um brechó.

Duas perguntas clássicas para encerrarmos a conversa. O que vocês acham de música brasileira? O que nós brasileiros podemos esperar do show do Javelin?

Nós amamos música brasileira. O George na verdade fez uma peregrinação pela Bahia há alguns anos, principalmente por causa da história musical do lugar. Estamos muito empolgados em tocar no Brasil! A plateia pode esperar muito suor, interação, mistura de estilos musicais e talvez até um crowd surfing... Vamos ver o que acontece!

SÓ PARA NÃO ESQUECER...
Já comprou o seu ingresso antecipado? São só míseros R$30, sem fila, nem taxa de conveniência. É só clicar aqui. Tá muito fácil, vai.

14 de janeiro de 2010

Ouça com exclusividade a versão do Arthur Russell feita pelo Pata (Holger) no seu projeto solo

O verão chegou e o Pata do Holger resolveu tirar o seu projeto solo da gaveta, desta vez, com o nome de Pata & The Summer Feelings. Nessa temporada a banda já gravou covers do Sugar Ray e Teenage Funclub, disponíveis no myspace dele, e do incrível Arthur Russell, que você ouve com exclusividade aqui no Dominódromo.
Para quem não conhece ainda, ou perdeu a temporada de inverno do projeto, que levava o nome de Pata & The Maxi Mazels, o próprio Pata conta em entrevista um pouco dessa história toda:
- Fale um pouco sobre o seu projeto solo. O que é, como começou, quem participa, etc...
Meu projeto solo começou da ideia de usar meu tempo livre para experimentar coisas que no Holger são mais dificeis. O Holger não tem um líder, mas cinco. Toda decisão do Holger, musical ou não passa pelos cinco e muitas vezes não consigo fazer algumas coisas que gostaria. A ideia era poder experimentar. Então em uma brincadeira eu criei os Maxi Mazels (Lulina, Eduardo Ramos, Pepe (Holger), Fernando (Some Community), Sergio Ugeda (Debate/Diagonal), Fer Cardoso (Bonde do Pantera) e Leo (Lulina), gravei as musicas, fiz clipe e show. Deu muito certo e quis repetir a dose, mas com outras pessoas então criei o Summer Feeligs que tem o Goos (ex NRK), o DW( Elefante Mirim/Je Rev de Toi) e o Gui Jesus (que tocava comigo na banda de post rock que eu tinha antes do Holger).
O projeto criou conceitos como acontecer de seis em seis meses com um único show. Mudar a banda e repertório TODA vez. Fazer a musica no máximo em um dia (fazer= fazer a versão gravar e mixar).
E até agora o resultado do Summer Feelings tem sido surpreendente para mim.
A ideia é nunca parar.
- Quando sai o disco e em qual formato ele vai ser lançado? Já tem nome?
O disco sai dia 25 de janeiro na internet e copias limitadas de cd-r e k-7. Vai se chamar Amor de Itu.
Vão estar presentes as musicas gravadas com o Summer Feelings e Maxi Mazels e um remix.
- Como são feitas as seleções das músicas? Os participantes tb opinam nessa parte?
As musicas são selecionadas segundo o tema. Em julho eram musicas mais tristes que falavam de coração partido. Dessa vez a ideia era fazer canções de verão.
Eu geralmente escolho as musicas que me impactam. Sempre uso a opinião de amigos sobre as musicas...ai entrego para banda e a gente seleciona as mais legais!
- Como os outros integrantes do Holger vêm o seu projeto solo?
Eles gostam, no final das contas é bom para o Holger porque eu estou tocando com outras pessoas e aprendendo horrores com elas. Sem falar que lá tenho oportunidade de testar um montão de coisas...eu volto para o Holger muito mais inspirado.
E agora, com vocês a versão de That's Us/Wild Combination, do Arthur Russell, na releitura do Pata & The Summer Feelings.

23 de dezembro de 2009

Não É Carne Nem Peixe #24 - entrevista com White Magic

Entrevista com White Magic (Mira Billotte). Segundo o Felipe Gutierrez ela está doidinha para vir tocar no Brasil.

Às vezes vocês são associados a um movimento chamado New Weird America, seja lá o que isso signifique. Vocês são, realmente?

Não tenho certeza, mas já escutei e ouvi de bandas que são associadas. Acho que é um gênero que alguém bolou para descrever algumas bandas contemporâneas de rock psicodélico e folk. Mas não acho que a gente se encaixa na categoria. Não acho que ainda exista um gênero para descrever a White Magic.

O Arthur Russell parecia ser um cara tão bacana, não?

Sim. Ele parecia ser um artista único e eu sou uma fã. Sinto uma conexão misteriosa com a música dele, como se tivéssemos um processo ou abordagem semelhante de música - minimal, experimental e que se espalha. E também com a experimentação, fora da avant garde, com a música popular.

Algumas canções e nomes de discos são associados a temas esotéricos, como Dat Rosa Mel Apibus. Vocês são esotéricos?
Dat Rosa Mel Apibus significa a Rosa Dá o Mel para as Abelhas em Latim. Nós somos as abelhas, a rosa é a vida, e estamos numa busca pelo mel, que é um presente. Sim, há temas esotéricos na minha música. Esotérico no sentido de sentido de pertencimento ao domínio do nosso interior e é uma exploração.

30 de novembro de 2009

Não É Carne Nem Peixe #23 - Entrevista com Heather Woods Broderick

Entrevista com Heather Woods Broderick, por Felipe Gutierrez.

Qual a sua relação com Peter Broderick?
Peter Broderick é meu irmão mais novo, e também um dos meus colegas de banda no Efterklang.

Qual a sua relação com Portland?
Eu cresci num lugar a cerca de uma hora e meia de Portland durante o fim da minha infância. Era a cidade grande mais próxima da pequena cidade onde eu e minha família morávamos. Me mudei para Portland há nove anos, e tenho realmente gostado de viver lá por várias razões. As comunidades artística e musical de lá são muito únicas, e a cidade está entupida de gente com talento. Para mim está sendo um lugar ótimo para escrever e tocar música, e também para fazer bons amigos.

Você teve treinamento musical?
Minha família era muito musical. Eu comecei a ter aulas de piano quando tinha 8 anos, e continuei até grande parte da minha educação na faculdade. Comecei a tocar em bandas quando tinha uns 18 anos, mas só comecei a escrever minhas próprias canções há uns dois anos. Nunca tive aulas de canto, mas acho que seriam bem divertidas.

2 de setembro de 2009

não é carne nem peixe #22 - entrevista com hurtmold

Entrevista com Guilherme Granado, do Hurtmold, por Felipe Gutierrez

A banda fez dez anos recentemente, certo? Dá para somar quantos discos todos os membros do grupo gravaram nesses anos - incluindo os que não são do Hurtmold, mas os Bodes & Elefantes, M. Takara, SP Underground, etc.?

Vamos lá: o Hurtmold tem 5 discos (et cetera, cozido, o split com os eternals, mestro e o último), o M. Takara tem 3 discos e um EP, o Bodes & Elefantes 1 disco e um EP digital, o São Paulo Underground 2. Logo esse número deve crescer pois todos esses projetos estão com discos novos em andamento. Sem data prevista, é claro. Portanto por enquanto são 13 discos, fora as incontáveis participações de todos em diversos projetos de diversos artistas ao longo desses 11 anos.

Se um de vocês tem uma ideia musical (uma melodia, por exemplo), como escolhe se usa essa ideia numa canção do Hurtmold ou no projeto paralelo?

Isso é completamente abstrato. Você acaba sabendo que aquilo funcionará com aquele grupo de pessoas ou não. Impossivel, pra mim, explicar como exatamente isso acontece.

O Maurício lançou um vinil recentemente. O último disco - Hurtmold - saiu em CD. Vocês vão continuar lançando discos em CDs? Ou vão mudar para outros tipos de mídia?

Não sabemos. Sempre quisemos lançar tudo nosso em vinil, mas isso não foi possível até agora. Ainda pode acontecer. O CD ainda não se sabe como vai ser daqui pra frente. Não sei responder essa pergunta, ainda...

Me lembro que no Sonar de São Paulo, em 2004, vocês se apresentaram como Hurtmold, "daqui de Pinheiros" (bairro de São Paulo). Vocês tentam, conscientemente, construir um "clima" de São Paulo nas músicas? Se a resposta for negativa, vocês acham que o som do Hurtmold remete à essa cidade?

Não é consciente. Acaba acontecendo, porque vivemos aqui e fazemos musica aqui. Acho que se você é sincero não tem como isso não aparecer uma hora ou outra. São Paulo é a nossa casa, amamos e odiamos essa cidade, ela está presente, sim, na nossa música.

18 de agosto de 2009

não é carne nem peixe #21 - entrevista com the big pink

Entrevista com Milo Cordell, do The Big Pink, por Felipe Gutierrez.

Na sua opinião, quanto é velho suficiente para amar?

(Essa pergunta ele não respondeu)

Eu vi na sua página do MySpace que vocês colocaram uma foto da (videoperformance) “I’m Too Sad To Tell You”. Por que vocês colocaram lá?

Porque expressa uma emoção que eu sinto às vezes.

Vocês eram um par com caras de fofos, temperamento de dia ensolarado, membros do coral de Gloucestershire rural que gostavam de uma relação incrivelmente segura com os seus pais, como o Rob Fitzpatrick (crítico do Guardian) disse?

Não. Eu sou de Londres, não sei cantar e odeio meus pais.

11 de agosto de 2009

não é carne nem peixe #20 - entrevista com o thermals

Entrevista com Hutch Harris, do Thermals, por Felipe Gutierrez.

Como estão as coisas na Kill Rock Stars? É melhor pagar impostos em Seattle ou Portland?

O melhor é não pagar impostos! As coisas vão ótimas na Kill Rock Stars. Eles são muito rápidos e eficientes, e muito legais de se trabalhar. Portland sempre teve muitos selos pequenos e decentes, mas nunca um grande selo. Agora temos. Kill Rock Stars!

Vocês vão lançar We Sleep in a Holy Bed?

Obrigado por perguntar! Acho que não. Não num futuro próximo. É um disco muito bom! Ou pelo menos vai ser. Ainda precisa de um tanto de trabalho. Eu gostaria de ver ele lançado, eventualmente. Talvez depois que fizermos o próximo disco dos Thermals, e depois que eu fizer meu primeiro disco solo.

Vocês já dirigiram um Hummer?

Não, nem dirigimos e nem andamos num Hummer. Eu tomo isso como referência à nossa recusa em licenciar à Hummer a nossa canção "It's Trivia". Se vocês leitores não sabem, nós recusamos (pelo menos) 50 mil dólares. Nós somos tão radicais! Estamos esperando que a empresa chinesa que comprou a Hummer faça uma oferta ainda maior, mais amedrontadora e mais desperdiçadora. Daí estaremos totalmente dentro!

Seu últimos discos parecem ser mais pop dos que os anteriores. Vocês atingiram público maior ou isso não mudou?

Nós estamos sempre atingindo um público maior, porque a gente só melhora e melhora. Todos os nossos discos vendem mais do que o anterior, e cada disco é baixado ilegalmente mais do que o anterior. Go us! (acho que não precisa traduzir esse Go us!)

3 de agosto de 2009

não é carne nem peixe #19 - entrevista com o delorean

Entrevista com Ekhi, do Delorean, por Felipe Gutierrez.

Por que vocês nomearam o EP “Ayrton Senna”? Delorean também é o nome de um carro, não é?

Não tem nada a ver com o nome Delorean. É só que a gente gosta de F1, e o Ayrton Senna é mais ou menos uma referência. O Igor uma vez veio do estúdio e nos falou que o Ayrton Senna disse: “se tudo está sob controle e alguma coisa não está bem, isso significa que você não está dando tudo de si”. E nós pensamos “é isso”.

Ayrton Senna parece ser mais eletrônico do que o material anterior. É uma mudança intencional?

É mais eletrônico, num certo sentido porque produzimos num computador. Soa mais eclético, no entanto, é mais pop, e mais rico em termos de ritmos e arranjos. Nós éramos mais techno antes.

Como é a vida em Barcelona?

A vida é boa. Era mais divertida, no entanto. Agora a diversão se foi e nós só trabalhamos com música com nossos amigos e com quem aprendemos juntos, fazemos nossas próprias festas como a Desparrame e tal... Tem uma comunidade legal agora com gente como John Talabot, Sidechains, Hivern Discs, The Requesters, Dj K**O, Extraperlo, El Guincho, Plat du Jour, Discoteca Oceano...É definitivamente legal.

28 de julho de 2009

não é carne nem peixe #18 - entrevista com o dj rupture

Os fãs já podem ficar tranquilos! Depois de um tempo desaparecido, o nosso querido colaborador Felipe Gutierrez voltou com a coluna Não é Carne Nem Peixe, com uma entrevistinha bem legal com o DJ Rupture.

Você está planejando um disco novo?

Sim. Em novembro vou lançar um novo disco de mixagens, chamado Solar Life Raft. Fiz junto com Matt Shadetek – é mais ou menos 30% de produção nossa. Remixamos Gang Gang Dance e Telepathe, e vários poetas amigos nossos estão lá, assim como vários beats exclusivos de outras pessoas.... Em setembro também sai um disco de Jahdan Blakkamoore chamado Buzzrock Warrior. Vai ser pela !K7 Records – eu e Matt produzimos o disco aqui no Brooklyn. Tem muita coisa acontecendo.

Eu tenho um projeto de banda chamado Nettle. No começo de 2010 vamos lançar um disco chamado “El Resplendor”. A banda envolve cordas marroquinas e eletrônica. “El Resplendor” é uma trilha sonora de um filme que ainda não existe. A ideia é: pegue O Iluminado. Imagine uma refilmagem d’O Iluminado, mas em vez de acontecer no Colorado, a ação acontece num hotel vazio em Dubai, nos Emirados Árabes. Estamos fazendo essa trilha sonora.

Posso estar errado, mas você esteve no Brasil há alguns anos para uma discussão sobre distribuição, não? E como foi? E o que você acha que mudou desde então?

Me diverti no Brasil. Foi há uns quatro anos. Então, sim, muito mudou na distribuição da música desde então. Se você quiser que eu seja mais específico, vai ter que me convidar para falar sobre isso de novo, haha.

Qual o sentido da expressão “Mudd Up!”, que é o nome do seu blog e do seu programa de rádio? E por que você escolheu esse nome?

Tem alguns sentidos. Primeiro, existia um Mudd Club da cidade de Nova York no começo dos anos 80. Era um lugar onde o rap e a no wave se fundiam. Blondie e Basquiat, era esse momento sensacional no qual diferentes culturas e cenas estavam se misturando e festejando juntas em Nova York. E então eu gosto disso. Mas Mudd Up também é um ritmo de reggae, então o nome se liga à cultura do dancehall, a cultura das versões e dos remixes e tudo isso. E claro, tem a referência a negritude também. Mudd Up pode significar “fique preto” ou então “fique sujo”.

Além da internet, em quais outros lugares você procura música? É possível achar canções que ainda não estão online?

Procurar só música online não funciona... Tem muita coisa boa offline. Desde lojas de discos de vinil até CD-R no mercado de Tepitos, na Cidade do México. A internet só representa uma fração pequena da música lá fora. As coisas mais interessantes são serão onde as músicas são feitas e fisicamente vendidas, falando com as pessoas, fazendo conexões, aprendendo no contexto. É muito fácil baixar alguma música e mixar. Mas estou muito mais interessado nas histórias dos sons, até música super nova. É sobre intimidade e não distância, e a internet ajuda as pessoas a ficarem distantes – eu gosto de sujar minhas mãos...claro que a internet é super útil, mas você precisa olhar em outros lugares e ter outras interações para entender o que acontece com a nova música e como tudo funciona.

26 de maio de 2009

não é carne nem peixe #16 - yeasayer



Entrevista com Yeasayer (Chris Keating), por Felipe Gutierrez.

Quem disse que o Yeasayer é Enya com uma batida (“Enya with a bounce”), que é a descrição da banda no Myspace?

Enya com uma batida? Esqueci quem disse isso. Mas eu gosto… Eu gosto da Enya, e ia gostar mais se fosse possível dançar ao som dela.

Na imprensa brasileira vocês foram colocados num conjunto de novas bandas que usam sons de diferentes culturas numa música moderna, up-to-date. Era essa a intenção? E quais outras bandas vocês acham semelhantes ao Yeasayer, se é que alguma realmente o seja?

Nós achamos que estamos fazendo música num mundo que está ficando menor e menor, e que só parecia lógico que deveríamos pegar referências de onde pudéssemos. A intenção era fazer música que refletisse o conceito de globalização (o bom e o ruim) e levasse em conta a facilidade com que a música viaja, pela internet, para todos os cantos do globo.

Não sei quais as intenções e filosofias por trás da música de outras bandas, mas o Brooklyn é o lugar mais empolgante para fazer música neste momento, e tem muita gente talentosa tentando superar as fronteiras sônicas.

Vi a sua performance no La Blogotheque. Vocês estavam um tanto relutantes?

Nós estávamos relutantes para a performance do Blogotheque só porque foi depois de um show em Paris, e a última coisa que queríamos fazer depois do show era um outro show. Nós tentamos dar tudo em todas as apresentações e geralmente isso me deixa acabado. Eu não toco em festas pós-show porque estou completamente esgotado e minha voz fica rouca. Nesse caso, porém, eu já conhecia as Take Away Performances, e as achava brilhantes, então decidimos por fazer a nossa. Hoje estou muito feliz pela decisão e acho que o Vincent Moon é um grande diretor, que trabalha de uma maneira muito contemporânea.

20 de maio de 2009

entrevista com federico durand



O argentino Federico Durand se apresenta em São Paulo, no próximo sábado (23/05), no Estúdio Buck, no lançamento da revista virtual Cuadernos Cecilia.

O Rodrigo Maceira aproveitou a ocasião e entrevistou o artista.

Primeira vez em São Paulo?
Sim, é minha primeira vez na cidade. Minha conexão com São Paulo remonta à minha observação de registros fotográficos, música e cinema.

O que podemos esperar de um show do Federico Durand? Podemos classificá-lo de show?
É difícil. Sim e não: certamente é uma audição musical, mas tenho a pretensão de que seja uma experiência de vida. Algo como a chave que abre a caixinha mágica. Minhas apresentações são certamente prodigiosas: pelo menos, para mim. Não tenho uma imagem clara do que pode acontecer, antes e durante. Como a imagem confusa de um jardim visto através de um vidro fosco. Prometo melodias. Prometo gravações do campo, realizadas nas montanhas onde minha família tem um chalé: sons de libélula, caminhadas ao entardecer. A ideia é construir um espaço de plenitude, um instante de beleza perdurável e, contraditoriamente, fugaz.

Música e literatura. Qual é a conexão?
Existe uma ponte. De um lado, o bosque – seu silencio, sua humidade, os espaços de luz entre os ramos, a aurora boreal. Do outro, a abertura ao mistério – o etéreo, o céu estrelado, o crepitar das lenhas no fogo. Música e poesia são relíquias de um mesmo caminho percorrido, dois atalhos nascidos em diferentes ladeiras que sempre nos levam para o topo da mesma montanha.

A melhor palavra do mundo? E a pior?
Não sei qual é a melhor, gosto de várias: siesta, peldaño, ciruelo, pera. Existem palavras inglesas muito bonitas: hush, nithingale, pur. Gosto também de alguns substantivos suecos, apesar de não conhecer o idioma: rådjur e o nome Elsa Beskow. Uma palavra feia é aquela cuja combinação de sons perde a graça no uso corriqueiro. Não existem palavras piores. De todos os modos, existe uma palavra que prefiro não pronunciar.

Como faria um convite para quem não conhece sua música?
É uma oportunidade incrível para nos conhecermos e para que conheçam minha música – minha vida está nela!

Serviço
Federico Durand
23 de maio de 2009, às 16h.
Estúdio Buck. Rua Lopes Amaral, 123 - Itaim Bibi
Entrada gratuita.
Capacidade limitada: 50 pessoas

11 de maio de 2009

não é carne nem peixe #15 - health



Entrevista com Health (Jake Duzsik), por Felipe Gutierrez.

Você pode explicar o que é o Zoothorn (instrumento inventado pela banda) para alguém que não sabe nada sobre instrumentos?
É um microfone ligado à pedais de guitarra e depois à um amplificador. É só trocar a guitarra por um microfone.

Los Angeles é o novo Brooklyn?
Definitivamente não. Maçãs e laranjas.

Quem merece morrer devagar?
Vários trouxas.

O Júpiter (guitarrista e vocalista) realmente se chama Jupiter?
Sim. Na certidão de nascimento dele. O nome da mãe dele é Jane Purple.

8 de maio de 2009

não é carne nem peixe #14 - videohippos



Entrevista com Videohippos (Kevin O'Meara), por Felipe Gutierrez.

Os shows da banda são cheios de projeções. Vocês escolhem as imagens? Se a resposta for “sim”, qual o critério para definir uma imagem?
Nossos sets sempre incluem projeções de vídeo sincronizadas com a música. Os vídeos são normalmente feitos por nós, mas também podem ser de amigos (Meredith Moore, Chris Lineberry). Eles são colagens cuidadosamente construídas de uma grande variedade de imagens e gravações que têm alguma relação com a música, ou às vezes só personagens ou cenas que têm uma influência sobre nós. Por exemplo, o vídeo que acompanha a canção “Shadow Pups” contém imagens do Incrível Hulk, um ogro, tanques de exército, mísseis de desenho animado e raios. “One Speed” tem símbolos de maçonaria escondidos, desenhos Tesla, e o George Bush dando o dedo do meio. As imagens, normalmente, não se relacionam diretamente às letras, mas ajudam a transmitir um sentimento ou um tema. Geralmente as imagens vêem de antigas fitas VHS que estavam paradas ou que achamos em alguma loja de coisas de segunda mão, ou da internet.

Vocês são amigos de outros artistas de Baltimore? Quais?
Baltimore comporta uma grande comunidade de artistas, seria difícil nomear todos aqueles que são nossos amigos. Mas alguns dos mais próximos são: Max Eisenberg (aka DJ Dog Dick), Meredith Moore, Dan Deacon, Jimmy Joe Roche, Dina Kelberman, Twig Harper + Carly Ptak (Nautical Alamanac), Robby Rackleff (aka Blue Leader), Mark Brown, D'Metrius Rice, Ed Schrader, Nolen Strals + Bruce Willen (Post Typography/ Double Dagger), Devon Diamond + Matt Papich (WildfireWildfire), Ponytail, Future Islands, Jana Hunter, Teeth Mountain, the Creepers, Santa Dads, OCDJ, Lizz King, Beach House, Lexie Mountain Boys, Lesser Gonzalez Alvarez, Roby Newton, Rjyan Kidwell (CEX), Height, Jones, Charlotte Benedetto, e sei que estou esquecendo alguém.
Nós fizemos muitos amigos quando nos envolvemos com o grupo Wham City, em 2005, e nós fizemos ainda mais quando participamos nas duas encarnações do Baltimore Robin Tour, em 2006 e 2008.

Vocês têm problemas com blogs que postam suas músicas? Vocês fazem buscas do seu próprio nome em sites como o Hype Machine ou o Elbo.ws?
Sou definitivamente a favor da distribuição gratuita de músicas pela internet, desde que as pessoas ainda possam comprar nosso disco em vinil!
Eu não passo muito tempo na internet, exceto para checar o meu e usar o Google e a Wikipedia para aprender coisas novas, mas acho bom que os blogs existam e que as pessoas os leiam. Nós precisamos de quantas fontes de informações pudermos alcançar.

Você leu alguma coisa sobre o Videohippos que não fazia sentido?
Às vezes as resenhas são um pouco viajantes com a linguagem e as comparações, mas não me lembro de ter lido nada que era completamente sem sentido. Bem, talvez na resenha da SPIN que nos comparou a uma pílula de ecstasy. Eu não entendi aquilo.

Qual a melhor parte se ser uma dupla?
Tem várias vantagem em ser uma dupla, mas acho que a maior é não ter que lidar com muitas questões de personalidades conflitantes. É muito mais fácil tomar decisões e fazer as coisas. Isso sem mencionar o espaço na van.

23 de abril de 2009

não é carne nem peixe #13 - dark disko republik



Entrevista com Dark Disko Republik (André Posh), por Felipe Gutierrez.

O que você fazia em 84?
Hmmm, eu tinha 6 anos, estava no pré. Escovava os dentes naquelas pias coletivas. Não sei pq me lembro só disso.

Você já fez uma performance dançante sem música?
Esse nome é uma metáfora brega pro fim de um relacionamento. Você continua sua vida mas ela fica bem mais sem graça.

E você viu que agora o Rio de Janeiro quer copiar Berlim e por isso está construindo uns muros?
Vi na TV, mas realmente não entendi. Só ouvi dizer que o povo da "comunidade" até aprova.

Você está tratando bem o Ricardo?
Ricardo é uma das pessoas mais doces do Universo, ele tem aquela cara fechada, mas é um baita amigo. E tenho que dizer, um músico genial.

Quem fez esses videos incríveis que estão no Myspace?
O de "Dance..." foi o Dilson, amigo do Fábio. O de "Lost..." foi o Dácio Pinheiro, ele já fez videos pro Monokini e tem vários curtas hypados por aí.

Quando vocês compõem, se preocupam em fazer canções melódicas? A maioria das músicas são assobiáveis...
Hmmm, a letra de Disko 84 é do Ricardo, acho nossa melhor melodia disparado, se bobear nossa melhor música até agora. Super! é do Fábio, ela tem uma vibe shoegazer, embora seja nossa música mais dançante. As outras letras são minhas, geralmente surge uma frase na minha cabeça e eu vou desenvolvendo a letra sobre ela. Lost, Deaf and Alone por exemplo surgiu da frase "My thoughts are racing ahead my hands". Vou construindo rimas por cima disso. Algumas são bem bregas aliás. Eu respondi a pergunta?

E a última pergunta: Hot Chip ou Elliot Smith?
Hot Chip com certeza, embora eles tenham ficado famosos com as músicas mais bobinhas, eu acho o Made in the Dark tão revolucionário quanto o Dare! do Human League. Timbres de outro planeta, melodias lindas. Tem um b-side chamado Bubbles They Bounce que é genial.

9 de março de 2009

não é carne nem peixe #12 - shiksa



Entrevista com Shiksa (Matheus Leston), por Felipe Gutierrez.

O que significa Shiksa?
Originalmente "Shiksa" é uma mulher não judia. Mas virou um termo pejorativo, usado muitas vezes pra chamar as empregadas de uma casa.

Quem escreve as letras?
Todo mundo.

É deliberada a proposta de fazer letras irônicas e músicas experimentais?
Não sei se é ironia. Ironia tem algo de falar uma coisa querendo dizer outra. O que a gente faz é tentar construir vozes verdadeiras, que muitas vezes não concordamos.

Você tem algum problema crônico de saúde? Caso de diabetes na família?
Por parte de pai, uma tia já falecida, e por parte de mãe, um primo.

20 de fevereiro de 2009

não é carne nem peixe #11 - blood music



Entrevista com Blood Music (Karl Jonas), por Felipe Gutierrez.

Por que o nome é Blood Music?

Oh...por várias razões, algumas melhores do que outras...Para resumir, eu estava no hospital há uns anos enquanto meu primeiro disco estava sendo feito. Tive vários problemas sérios de operações por causa de um aneurisma cerebral. Então, enquanto eu estava deitado na cama, eu tentava pensar em algo sobre o disco que eu fazia e as enfermeiras e médicos vinham e me diziam coisas sobre meu sangue...porque eu tinha que checar o meu sangue o tempo todo para ver se estava tudo bem...sangue e música eram os grandes assuntos da minha vida, então. Ainda é, mas agora é mais música do que sangue.

Você pode falar um pouco da sua formação musical?

Eu toquei piano por meio ano quando eu tinha 12. Tinha um professor de piano na minha escola, mas ele perdeu as esperanças por mim. Eu não fazia minha lição de casa. Eu gostava de sentar no piano e improvisar e brincar e fazer minhas próprias canções, mas na hora das lições e tocar as notas, eu era preguiçoso e pouco inspirado. Daí parei de tocar.

Comecei a atuar e trabalhei numa loja de música. Música ainda era meu grande interesse. Mas eu só escutava discos como um fã.

Então encontrei Jenny Wilson em Malmö, no sul da Suécia, e nos apaixonamos e decidimos começar uma banda. Sentíamos que a cena de música sueca prescindia algo imprevisível e excitante no momento. Então começamos o First Floor Power.

Comprei um órgão caseiro e barato e ela comprou uma guitarra. A gente ficava acordado toda a noite e escrevíamos canções. Pedimos à irmãzinha da Jenny, a Sara, para se juntar e tocar baixo. Isso foi antes de 2000. Então conseguimos um contrato de disco num selo alternativo bem legal e progressista chamado Silence Records, e eles lançaram nossos dois primeiros discos. O terceiro, "Don't Back Down" foi lançado no ano passado. Então o First Floor Power está vivo. Mas no tempo em que eu estava no hospital nós demos um tempo e nessa época e senti que precisava fazer algo completamente meu, musicalmente...então decidi que meu projeto solo seria Blood Music.

Desculpe se eu as interpreto erroneamente, mas as canções que ouvi são de humor. Você se acha uma pessoa de bom humor?

Espero que sim. Mas é difícil dizer. Pergunte à minha namorada...não, não pergunte a ela! Não, sério, fico contente que alguém no Brasil ache (as canções) bem humoradas.

E 2009?

Oh, o ano das mudanças. Eu tive um filho no Natal e isso mudou o meu mundo em muitas maneiras. Ele é incrível e me deixa acordado toda a noite. Eu gravei tudo menos os vocais para o novo disco do Blood Music (o terceiro) e me sinto muito bem com isso. Tem esse clima de banda solta, porque gravamos quase tudo ao vivo. E os músicos são os meus favoritos. Então esse ano eu vou ficar em casa para terminar o disco e lançar antes do fim do ano.

Acho que 2009 é um ano bom. Um monte de coisas ruins acontecem pelo mundo, mas vejo vários raios de luz e esperança.

Você já esteve apaixonado por alguém e teve que fingir que não estava?

Sim. Tudo na canção oct/nov é baseado na verdade. Se não minha, na de alguém. Mas vou responder a pergunta de novo: sim.

Tantas bandas boas apareceram na Suécia recentemente. É possível ser um artista independente e viver uma vida confortável aí?

Hmmm...temos sem teto nas grandes cidades, e claro que a Suécia é muito fria no inverno. Mas a maioria dos suecos vive uma vida confortável. Temos um sistema de seguridade social que é OK, se você fica doente e termina no hospital, isso não vai te arruinar financeiramente.

Musicalmente tem muitas bandas bacanas no momento. Acho que algumas podem viver muito confortavelmente de música. Mas eu, como muitos outros, faço trabalhos extra para fazer o trabalho da minha vida. Tive muitos trabalhos assim. Agora trabalho num cinema. Aliás, acabamos de exibir "Tropa de Elite" aqui. Era bom. Muito violento.

Oh, por favor, deem uma olhada nessas bandas de amigos meus:

http://www.myspace.com/assmyass
http://www.myspace.com/goldmedalrecordings
http://www.myspace.com/wildbirdsandpeacedrums

10 de fevereiro de 2009

não é carne nem peixe #10 - cidadão instigado



Entrevista com Cidadão Instigado (Fernando Catatau), por Felipe Gutierrez.

O seu público é sofisticado. Por que você acha que ele se identifica com temáticas de gente simples (como dentes de ouro ou "os urubus só pensa em te comer")?

Nem sei se meu publico é sofisticado. Talvez seja. Na minha cabeça é porque a música não tem fácil acesso a todas as pessoas. Se tocasse em rádio, no mínimo as pessoas teriam a opção de escolha pra saber se gostam ou não, mas esse é o mal do mercado fonográfico em geral. Enfim...não reclamo muito do que tenho, não. Quem se interessa e gosta, procura e acha.

Você é amigo do Rodrigo Amarante, certo? Tem conversado com ele agora que ele é "gringo"? E você pensa em tentar uma projeção no exterior?

Eu sou muito amigo do Rodrigo e converso com ele sempre. Não acho que ele tenha se tornado "gringo". Pelo menos não noto diferença. Continua sendo o Rodrigo que conheço. Simples e honesto. Em relação ao Cidadão no exterior, nós já tocamos poucas vezes na Europa. Vamos na homeopatia. Não temos disco lançado lá fora, mas tem bastante gente que conhece já.

O "Método Tufo (...)" já vai completar quatro anos. Você está com disco novo para sair? Se a resposta for positiva, pode falar um pouquinho do disco?

Começamos o processo do disco novo. Deve ser lançado no meio do ano. Tem várias músicas que já tocamos ao vivo. Ainda está tudo se resolvendo, mas tenho gostado bastante.

Você escreveu sobre o preconceito em algumas de suas canções. Depois do reconhecimento da crítica, você acha que alguma coisa mudou?

Preconceito sempre vai existir. Isso é natural do ser humano. Iluminado é aquele que aos poucos e com o decorrer da vida vai se desvencilhando dessas coisas, mas no geral é comum. Hoje em dia as coisas estão melhores pra nós, sim, mas mesmo assim é tudo muito lento. Poderíamos fazer mais shows. Isso seria perfeito. Correr o Brasil todo, mas a lentidão é necessária e tá tudo certo.

2 de fevereiro de 2009

não é carne nem peixe #9 - xiu xiu




Entrevista com Xiu Xiu (Jamie Stewart), por Felipe Gutierrez.

A tortura é uma questão importante para os brasileiros e, enquanto o Bush estava a Casa Branca, também foi para os americanos. Adoro Guantanamo Canto. Na letra, você canta sobre os filhos dos que foram presos naquela prisão. O verso é "e seu filho vai crescer para nos matar". Você acha que agora, que o Obama mandou fechar Guantánamo, essa situação que você descreve pode, de alguma maneira, ser prevenida?

Bem, mesmo com o fechamento de Guantanamo (graças a Deus), ainda tem o Iraque, ainda tem o Afeganistão, ainda tem a história dos EUA na América Central, ainda tem a devastação ambiental, ainda tem toda a história da CIA, a opressão de pessoas de cor nas cidades interiores dos EUA.

Os EUA tem uma quantidade imensurável de sangue nas mãos. Acho que existe uma possibilidade de uma melhora em relação à gente pelo mundo dependendo do que o Obama realmente fizer, mas num nível individual, que alguém possa perdoar um governo e um país que é responsável por a morte de uma pessoa querida por causa de cobiça é inatingível. Pode ser um novo dia para nós que queremos fazer a coisa certa. Espero que ele tenha a habilidade.

Você já fez um cover dos Smiths e também de Under Pressure. O que nos anos 80 te atrai tanto?

Bem, era quando eu era jovem! Nasci em 1972 e minha adolescência foi nessa época. Como é comum com muita gente, a música que as envolve quando a cabeça e o coração estão sendo formados é a que as queima para sempre.

E também foi um período de tremenda criatividade. Havia novas expressões e combinações de expressões sendo criadas pelo período. Parece que era um tempo para se brincar com gêneros, emoções elevadas, internacionalismo, nova eletrônica, honestidade e política. Todas essas coisas são muito significantes para mim e acho que por ter crescido nesse tempo, elas tem um apelo absoluto. Tenho muitos amigos que são muito mais jovens do que eu como um resultado de estar no (negócio da) música e as canções que enchem as pistas de dança e animam as festas são todas dessa época.

Às vezes suas canções mudam de um tom delicado para um ruído experimental – e às vezes é o contrario, como em In Lust You Can Hear the Axe Fall. É bonito, porque você realmente sabe o que é delicado se tem "violência" perto. É esse o propósito? Uma estrutura chiaroscuro?

Não sou a pessoa certa para perguntar. Acho que é uma ideia ruim desconstruir qualquer coisa que tentamos fazer. Se funciona, acho que é muito, muito gratificante, mas sabendo porque algo funcionou, devido à minha insegurança e personalidade obsessiva, vai levar à reflexões excessivas e a uma implosão horrível.

Em relação à canção, não sou suficientemente esperto para fazer um paralelo entre chiaroscuro e música à frente do tempo. Todos na banda simplesmente tentam escutar e colocar seus sentimentos na música.

Você pode nos contra algo sobre 2009?

Estamos trabalhando num disco para 2010. Entrei numa nova banda, com meu amigo Freddy Ruppert, chamada Former Ghostos, e nós estamos trabalhando num disco novo. Estou fazendo uma série de subscrição de música ambiente, experimental e minimalista e também fazendo um tour solo pelos EUA e pela Europa. E também alguma colaborações como Prurient, Los Campesinos, Parenthetical Girls e com a Mary, do High Places.

28 de janeiro de 2009

eu te entendo, jay reatard

jay reatard

Tá, via de regra, não gosto da música do Jay Reatard. Mas veja o que ele tem a dizer sobre o seu processo de composição, nessa entrevista para o AV Club:

I tend to be one of those negative people that thinks you're defined more by what you dislike than what you like. I tend to write about things that irritate me. Don't get me wrong, I'm not an elitist, but I can't find anywhere that I can go in the world where at least one person is not going to fucking tick me off. I fly a lot, and I can come home after taking a long flight fucking amped up to write two or three songs about what fucking scumbags people are, after having to sit on a plane with them and watch them eat their boogers.

Uia. Vocês acham que o House é exemplo de misantropia? Ele é uma flor perto desse sujeito. Ah, e claro, um personagem fictício.

10 de setembro de 2008

entrevista milocovik



Quem acompanha o blog já está sabendo que no próximo dia 16/09 rola o primeiro show com a chancela do Dominódromo, junto ao parceiro Si no puedo bailar no es mi revolución. A primeira edição da festa Entonces... traz ao Brasil, pela primeira vez, o argentino Juan Stewart. Como banda de abertura escolhemos os brasileiros do Milocovik, que acreditamos ter potencial de sobra para ir longe. Essa entrevista, feita pelo Rodrigo Maceira, mostra um pouquinho do universo deles, já nos preparando para o show da próxima terça.

O Milocovik, que não tem disco - e, por opção da banda, provavelmente nem chegará a ter -, abrirá um projeto que, entre outras coisas, marca o lançamento de um disco. Revolución?!

Não temos nada contra gravar discos... rs... o que acontece é que já tivemos muito retorno apenas com o myspace. Já nos envolvemos em diversos eventos superdivertidos apenas com essa divulgação pela internet. Em alguns desses eventos, gravamos CDRs com nossas músicas para distribuição. Acredito que iremos fazer discos, sim, mas por enquanto estamos funcionando dessa maneira.

Como será o show?

Nós vamos tocar as três músicas que temos no myspace e algumas outras novas que não gravamos ainda. O Martín, do selo Estamos Felices, já conhece nosso trabalho há algum tempo, mas não viu nenhum show ainda. Será uma ótima oportunidade pra ele escutar "Bitter Plum", sua música predileta... rs

Vocês conhecem o Juan, certo? Gostam do trabalho dele?

Sim, já conhecíamos o trabalho do Juan faz alguns anos. Adoramos. Já tinhamos alguns discos dele e também de sua antiga banda. Acabamos conhecendo ele quando teve o show do Coiffeur aqui em São Paulo, em dezembro do ano passado. O Juan veio como parte da banda, tocando piano. Além do show, naquela ocasião, saímos pela noite aqui em São Paulo. Foi muito divertido. Estamos muito ansiosos pela volta dele ao país e agora ainda vamos tocar juntos. Será incrível!!!

Como foi a participação do vocês no Red Bull Music Academy deste ano?

Foi um convite que partiu da promoter Lalai. Era um evento que abriria os desfiles de moda da Casa de Criadores; o cast seria formado por bandas de electro. Apenas nossa banda fugia um pouco do estilo, mas isso não foi problema. Tivemos uma resposta incrível e fizemos muitos contatos por lá. O evento todo foi muito elogiado. Tocamos com outras bandas que gostamos muito como Mono4, NRK, Madame Mim, Montage, etc...