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26 de setembro de 2009

MP3 do dia - A Sunny Day In Glasgow


Sabe quando falam, ano a ano, sobre a volta do shoegaze e das camadas de guitarras e blah, blah, blah? Isto não cola. Shitgaze não é shoegaze, para começar. E as bandas que representam esta tal ressurgência - sem nomes, para não causar mágoas - são insossas, só copiam a sonoridade da época. Digo que valem nada.

O A Sunny Day in Glasgow é shoegaze/dream-pop para 2010. Estende os limites do gênero, prossegue com a chama dos experimentos polifásicos, jamais se satisfaz com a solução encontrada 25 anos atrás (ainda que esta seja maravilhosa).

Comprei o Ashes Grammar no pre-order, sem ouvir uma música sequer. Lembrou-me dos dias sem MP3 e internet, seguindo, às cegas, dicas de revistas. Mas sabia que, seguindo a escadinha Scribble Mural Comic Journal-Tout New Age-disco novo, o disco não me desapontaria. A progressão da banda era nítida e eu apostei, em dólares, no meu palpite.

Valeu a pena. Ashes Grammar precisa ser ouvido de ponta a ponta. E não só porque as músicas deságuam umas nas outras. Trata-se de um disco com uma visão maior de um som, uma macroidentidade compreendida somente na análise de sua íntegra.

Ainda assim, coletei um MP3 do dia deste colosso de 22 faixas, negando o meu próprio argumento. E isto dói. Mas são coisas que faço somente para vocês, prezados leitores.


[MP3: a sunny day in glasgow - shy]
do álbum ashes grammar (2009)

Disse o Rodrigo que, ao vivo, nem sabiam tocar. Devem estar melhores agora. Se não, são uma daquelas bandas que só funcionam em estúdio, pois o laboratório não pode ser montado em um palco. Que seja. Eu e a minha vitrolinha não nos importamos com este handicap.

FICHA
Quem: A Sunny Day In Glasgow
Onde: Philadelphia, EUA
Myspace: myspace.com/sunnydayinglasgow

21 de dezembro de 2007

os 25 melhores discos de 2007

A equipe (de dois) do Dominódromo deseja boas festas para todos os seus leitores... Ah, por que a moderação?!? Desejamos boas festas para todos!

Tiraremos férias pelas próximas duas semanas, durante as quais prepararemos várias novidades megalomaníacas para 2008. Por ora, entretanto, temos nada a oferecer além da nossa humilde lista de melhores discos de 2007. Ela está em ordem alfabética, pois acho um tanto estranho alguém conseguir graduar os discos com tamanha precisão ("esse aqui é um pouco melhor do que esse, que é um pouco melhor do aquele..."). Não concordo com alguns, a Karen não concorda com outros, mas chegamos a um meio-termo. Nesse caso, a moderação cai bem.

Enfim, aí estão eles, cheios de glória:

a sunny day in glasgow - scribble mural comic journal / tout new age
battles - mirrored
benoît pioulard - précis
blonde redhead - 23
caribou - andorra
chromatics - iv
deerhoof - friend opportunity
deerhunter - cryptograms
enon - grass geysers... carbon clouds
feist - the reminder
interpol - our love to admire
land of talk - applause cheer boo hiss
lcd soundsystem - sound of silver
les savy fav - let's stay friends
of montreal - hissing fauna, are you the destroyer?
pinback - autumn of the seraphs
radiohead - in rainbows
relay - still point of turning
sambassadeur - migration
the arcade fire - neon bible
the besnard lakes - are the dark horse
the field - from here we go sublime
the national - boxer
the twilight sad - fourteen autumns and fifteen winters
we all have hooks for hands - the pretender

23 de outubro de 2007

mp3 do dia - a sunny day in glasgow

Psicodelia, shoegazing, noise. Vozes resmungam, enquanto alguém empilha os sons que estiverem ao seu alcance. A Sunny Day in Glasgow é tudo, o tempo todo. A melodia oriental de A Mundane Phonecall to Jack Parsons é uma pequena corrente de ar que impede a asfixia por soterramento sonoro. Há um muito de transcendência, e um pouco de violência - o pulso convulsivo da música deve espantar hippies. Se a banda toca com instrumentos normais, deve fazê-lo em uma caverna, as notas reverberando a cada ângulo rochoso, sem qualquer capricho por clareza, definição. Tudo soa em dobro.

Chega a ser engraçado saber que a duplicação da voz não é feitiçaria, nem tecnologia, mas duas vocalistas mesmo, gêmeas. E que a polifonia é obra do irmão delas, e mais ninguém. Hmmm... Sussurros femininos, distantes do primeiro plano, e um excêntrico multi-instrumentista, fazendo horrores com uma guitarra e um monte de pedais caseiros... Urgh... Tinha prometido a mim mesmo que evitaria comparações batidas com o My Bloody Valentine... Argh... Mas meu sangue não é de bara... *batendo a cabeça no teclado* My Bloody Valentine! My Bloody Valentine! My Bloody Valentine! My Bloody Valentine! My Bloody Valentine! My Bloody Valentine! *entra em colapso*







[MP3: a sunny day in glasgow - a mundane phonecall to jack parsons]