O The Go! Team acaba de lançar o seu novo disco, Rolling Blackouts, e junto dele um mini documentário falando um pouco sobre como funciona a banda internamente, e sobre o novo álbum.
Além disso, a banda soltou na internet recentemente o clipe de Secretary Song, que conta com a participação da vocalista do Deerhoof Satomi Matsuzaki. A voz dela caiu como uma luva na música do The Go! Team.
Aproveitem porque a banda declarou nessa semana que esse pode ser o último disco deles.
Antes de tudo, quero deixar claro que vocês podem desconsiderar a minha opinião sobre o Motomix: meu texto virá com o viés de quem imaginou e escreveu conceito, formato e lineup do projeto. Sim, minhaa relação com esse festival é íntima, paterna.
Dito isso, achei o evento incrível. Juro que estou sendo sincero. A expectativa para os shows do Fujiya & Miyagi e, claro, do Go! Team - minhas bandas prediletas da escalação - era astronômica, mas foi correspondida, com sobra. E durante esse sábado no Ibirapuera, havia algo no ar, uma atmosfera especial, que despertava sorrisos, conversas com estranhos, descobertas sensoriais. Talvez tenha sido pela combinação feliz e semi-acidental de cenário (o parque e o dia lindo), acesso (a gratuidade), boa música (ainda que desconhecida) e público presente (gente aberta, diversa e interessante, ao invés dos costumeiros VIPs). Ou pode ter sido a adesão do projeto a uma cartilha simples: menos aparência, megalomania, lugares-comuns, vícios marketeiros e subestimação do público. O nosso calendário cultural é cheio de tudo isso, e o frescor de algo um pouquinho diferente logo é notado.
Bandas selecionadas
Primeiro, tocaram as sortidas bandas nacionais: tivemos o som pesado e oitentista do Venus Volts, o electropop limpo e bem-feito do Stop Play Moon, e o pop-rock rebuscado e cheio de referências (ainda que lento) do Nancy. Foi legal observar como cada uma aproveitou a chance, e fazer apostas sobre o futuro delas (minhas fichas estão no Stop Play Moon).
Bandas internacionais
Depois, chegou a vez das bandas internacionais, que não traziam fama na bagagem, mas tinham a qualidade musical necessária para superar esse revés, mesmo com tempos, gêneros e propostas variadas entre si. Foram elas:
Metric
O Metric, colocado como uma espécie de headliner, fez um show sério, profissional, muito bem-tocado. A experiência das apresentações para grandes platéias no Canadá e EUA ficou clara. Apesar de não ficar empolgado - nunca fui fã da banda -, posso dizer que gostei deles ao vivo. A turma da grade estava histérica, entretanto, da mesma maneira que fiquei com as outras duas bandas.
Fujiya & Miyagi
O Fujiya & Miyagi é precisão, repetição, transe. E todas as músicas que tanto ouvi do Transparent Things estavam lá, nota a nota, amplificadas por um setup de som que acentuou o tão valioso baixo que as torna hipnóticas. Não é o tipo de música capaz de criar histeria em grandes públicos, mas, ainda assim, fiquei surpreso ao ver como a frieza recíproca entre banda e audiência se desfez na entrada do baterista no palco, substituindo a base eletrônica com groove, novas viradas e uma dose extra de funk. No final, todos estavam cativados, com direito a um "aaaaah!" coletivo quando foi anunciada a última música.
The Go! Team
No lado oposto do espectro, tivemos a espontaneidade do Go! Team, trocando instrumentos, improvisando em arranjos e letras, e chamando - aliás, ordenando! - o público, fossem eles fãs antigos ou pára-quedistas, a cantar, dançar e fazer parte. Alguns dizem que o som deles é infantil... Que preguiça dessa gente que considera a ingenuidade como um elemento artístico inferior. Ela é a principal virtude do Go! Team, o combustível da inquebrantável busca pela euforia, sem cinismo ou grandes pretensões. As coreografias, as notas tortas, os samples de metais (incríveis), as gaitas e toda a bagunça restante no som dos ingleses soam ingênuos porque nossos olhos e ouvidos se tornaram cínicos com o tempo. Daquele entusiasmo genuíno no palco, nasceu uma espécie de nostalgia indefinida, definitivamente boa, que não remete a algum momento específico do passado, mas a algo ainda a ser vivido, agora! A mera lembrança do show já estampa meu rosto com um sorriso - que vontade de ser infantil pelo resto da vida! E é música nova, sem rótulos ou comparações, algo difícil de ser encontrado.
E o MP3 do Dia, afinal...
Como MP3 do Dia, vou deixar um dos destaques do show do Fujiya & Miyagi, Knickerbocker, faixa do novo disco, Lightbulbs, anunciado para setembro. A repetição krautrockiana está lá, mas com uma dose extra de calor que amolece, mas não derrete, a fundação glacial do som deles.
O Motomix, que terá neste ano as atrações internacionais Fujiya & Miyagi, The Go! Team e Metric, já divulgou os nomes das bandas nacionais que vão se juntar ao lineup.
Os escolhidos pela curadoria do festival foram Vênus Volts (Campinas), Stop Play Moon (São Paulo) e Nancy (Brasília).
Vale lembrar que tudo isso rola no dia 28 de junho, no Parque do Ibirapuera, e a entrada é gratuita.
O Fujiya & Miyagi, uma das atrações internacionais do Motomix 2008, agora é um quarteto. Os caras chamaram Lee Adams para substituir a bateria eletrônica que eles costumavam usar.
A gente vai poder conferir o que mudou no som dos caras, e ainda deve ouvir algumas faixas novas da banda, já que o novo disco deles, Lightbulbs, será lançado em setembro.
A tracklist de Lightbulbs é a seguinte:
Knickerbocker Glory Uh Pickpocket Goosebumps Rook To Queen's Pawn Six Sore Thumb Dishwasher Pteradactyls Pussyfooting Light Bulbs Hundreds And Thousands
O Motomix rola no dia 28 de junho, no Parque do Ibirapuera. As atrações internacionais são Fujiya & Miyagi, The Go! Team e Metric. A entrada é gratuita.
O The Go! Team, uma das atrações do Motomix deste ano, resolveu disponibilizar algumas faixas para download, de graça, no seu site oficial.
A banda vai colocar à disposição dos fãs uma nova versão de Milk Crisis, além do vídeo da música, e alguns remixes raros. Pena que tudo isso só vai estar disponível no dia 21 de julho, mas vale a pena esperar.
Em setembro, os caras entram em estúdio para gravar o seu terceiro disco, que ainda não tem lançamento previsto.
Lembrando que o Go! Team toca no Motomix ao lado do Fujiya & Miyagi e do Metric, no dia 28 de junho, no Parque do Ibirapuera, e a entrada é gratuita.
Depois de anunciar Fujiya & Miyagi e The Go! Team, o Motomix finalmente matou a curiosidade de todos em saber qual seria sua outra atração internacional.
Acaba de ser confirmada a vinda dos canadenses do Metric (foto). A banda de Emily Haines, que vem trabalhando no seu próximo disco há algum tempo, deve mostrar material novo por aqui.
Para mim esse é o melhor Motomix EVER!
Não se esqueçam: dia 28 de junho, às 15h, no Parque do Ibirapuera, de graça! Coisa de primeiro mundo, né?
Se você anda meio cabisbaixo com sua existência, o estado do mundo ou a irracionalidade das pessoas, anime-se! Saiba que a vida ainda reserva espaço para boas surpresas. Hoje mesmo, por exemplo, tive duas.
Nunca fui fã da voz da Marina Ribatski (ou Vello), (ex) vocalista do Bonde do Rolê. A atonalidade, os gritos, os registros agudos... Sério, essa senhorita tirava-me do sério. Mas fiquei impressionado com a sua participação no último (e ótimo) disco do Go! Team, Proof of Youth (2007). Fake ID parece música de comercial de refrigerante, incorrigivelmente feliz, alentadora, digna de palmas, batuque de pé e sorriso. E a voz dela está lá, não apenas adequada à euforia da canção, mas como o maior destaque, uma fúlgida melodia dentre a distorção empilhada de sons e instrumentos. De onde veio toda essa doçura pop?
E apesar de ser um entusiasta declarado do primeiro disco do Go! Team, Thunder, Lightning, Strike (Huddle Formation!), encarava o projeto como um canhão de um tiro só, um mágico de um truque só, um samba de uma nota só, um carro de uma marcha só... A criação do inglês Ian Parton e o seu computador era feita de centenas de samples de felicidade (cantos de cheerleader, vozes de crianças, palmas...), trumpetes de bangue-bangue, e muitas lembranças da black music e do hip-hop de antigamente. O som obtido, ainda que incrivelmente rico e inovador, era peculiar demais, calcado em uma fundação de vigas sem qualquer flexibilidade aparente. Tratava-se da tempestade perfeita para o fiasco do segundo disco: um Thunder, Lightning, Strike parte II seria massacrado por sua limitação artística; um álbum muito diferente da fórmula que encantou tanta gente seria uma decepção.
Mas Fake ID - e outras músicas do Proof of Youth - mostra que o negócio de Parton é o pop, ponto, seja com cordas, guitarras, rappers, sintetizadores ou fagotes. As influências são reverência, ao invés de referência - provas de amor de um fanático com conhecimento musical enciclopédico; os samples não são gimmicks gratuitas, mas artifícios de um sujeito disposto a criar uma realidade de euforia absoluta, paralela à nossa, onde a música está a serviço dos sorrisos com olhos fechados, das danças desengonçadas, dos high-fives, das cambalhotas e estrelas. Como você ainda consegue ficar cabisbaixo?
Já saiu o clipe do próximo single do Interpol, Mammoth, do novo disco da banda, Our Love To Admire. O vídeo é bem simples, só mostra a banda tocando ao vivo. Nada de firulas... puro rock.
Além disso, os garotos estão mostrando que se importam com o próximo. Eles vão participar de uma coletânea dupla, que vai levantar fundos para a Art of Elysium, uma instituição que usa a arte como terapia para judar crianças hospitalizadas.
Disco 1: 01 Beastie Boys: "The Mix-Up" (B-side) 02 Coldplay: "Pour Me" (live at the Hollywood Bowl) 03 Band of Horses: "The End's Not Near" 04 Rilo Kiley: "Big Break" 05 Hot Hot Heat: "Money & Reputation" 06 The Stooges: "Claustrophobia" 07 Kaiser Chiefs: "Out of My Depth" 08 Travis: "Up the Junction" 09 The Go! Team: "Bull in the Heather" 10 The Decemberists: "Shankill Butchers" 11 Menomena: "Gay A" 12 Cold War Kids: "A Change Is Gonna Come" (live) 13 The A-Sides: "Diamonds" (live at WOXY.com) 14 Annie Stela: "White June" 15 Mew: "White Lips Kissed" (live in Japan) 16 Two Sheds: "Psycho Killer" 17 Patti Smith: "Perfect Day"
Disco 2: 01 Silversun Pickups: "Lazy Eye" (Brian LeBarton remix) 02 Blonde Redhead: "Signs Along the Path" (Maps remix) 03 Interpol: "The Heinrich Maneuver" (The Scientist Dub mix) 04 Air: "Mer du Japon" (remix by the Teenagers) 05 Peter Bjorn & John: "Young Folks" (Punks Jump Up remix) 06 The Wolfmen: "Jackie Says" (Alan Moulder mix) 07 The Pipettes: "We Are the Pipettes" (live from the Cherrytree House) 08 Carina Round: "January Heart" (Buffalo Bill remix) 09 Low: "Hatchet" (Optimimi version) 10 Mando Diao: "Good Morning Herr Horst" (RAC remix) 11 Magnet: "Hold On" (Metronomy mix) 12 The View: "Face for the Radio" (live at Caird Hall) 13 The Maccabees: "XRay" (filthy dukes remix) 14 Ladytron: "Soft Power" (Vicarious Bliss Gutter mix) 15 Datarock: "Fa Fa Fa" (Riton New School remix) 16 Fields: "Song for the Fields" (Eliot James remix)