10 de julho de 2008

club de las serpientes #14 - diosque

diosque
Sei, pra ter vergonha, esquecer até, ou só lembrar em sonho, tamanho descontrole. Mas veio a palavra, difícil evitar. O professor de Física se preparando, última conversa no corredor, porta verde, pequena janelinha na altura dos olhos, ajeitando o zíper, meio redondo, Seu Barriga chamaram, comia trinta balas de mel durante a aula, confundindo meu sobrenome com o do Luis, na cadeira de trás. E suava horrores, a camisa lavada, marca preta em volta da unha, espiando o sutiã no ombro da Aline, rápido, salivento, a equação, Marcelo, aqui na frente, agora ou pra fora. E levantei desarmado, o resto medindo, babaca, falta de idéia, só se for vingança. Vingança, a noite inteira, seguinte, o preço do vexame, ridículo diante de todo mundo, sei lá que outra vez. Amanhã, armei, disfarço no intervalo, não saio, escondido, antes do gordo entrar, tem um primeiro "oi", a lista de chamada, lousa cheia da lição de História, o preparo da matéria, a dinâmica de sempre, teoria de uma lado, exercício do outro, estranhando, grudado no dedo, ai, fedor, cheiro medonho, porra, que merda é essa no apagador?
Rodrigo Maceira

myspace.com/diosque
[MP3: Diosque - Basural]

3 comentários:

juliana disse...

rodrigo, você tem o álbum "con la mente perdida en intereses secretos", do franny glass?

já procurei na internet INTEIRA e aparentemente ninguém nunca subiu esse álbum.

tô pra ficar louca. é uma resenha melhor que a outra e eu aaaaaaamo "cine y libros".

[diga que vcê tem.
diga que você tem.
diga que você tem.]

:}

Rodrigo disse...

Franny Glass é pura maravilha :o) Me passe seu e-mail!!

Gracias pelos comments :o)!!

juliana disse...
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