Mais uma combinação improvável aqui na Made In Paraguay: Santigold tocando Killing An Arab, do The Cure, no Lollapalooza, que rolou no último final de semana.
Eu não sou muito fã do Cure, mas essa música eu acho muuuito boa. É a minha preferida deles.
Como estão as coisas na Kill Rock Stars? É melhor pagar impostos em Seattle ou Portland?
O melhor é não pagar impostos! As coisas vão ótimas na Kill Rock Stars. Eles são muito rápidos e eficientes, e muito legais de se trabalhar. Portland sempre teve muitos selos pequenos e decentes, mas nunca um grande selo. Agora temos. Kill Rock Stars!
Vocês vão lançar We Sleep in a Holy Bed?
Obrigado por perguntar! Acho que não. Não num futuro próximo. É um disco muito bom! Ou pelo menos vai ser. Ainda precisa de um tanto de trabalho. Eu gostaria de ver ele lançado, eventualmente. Talvez depois que fizermos o próximo disco dos Thermals, e depois que eu fizer meu primeiro disco solo.
Vocês já dirigiram um Hummer?
Não, nem dirigimos e nem andamos num Hummer. Eu tomo isso como referência à nossa recusa em licenciar à Hummer a nossa canção "It's Trivia". Se vocês leitores não sabem, nós recusamos (pelo menos) 50 mil dólares. Nós somos tão radicais! Estamos esperando que a empresa chinesa que comprou a Hummer faça uma oferta ainda maior, mais amedrontadora e mais desperdiçadora. Daí estaremos totalmente dentro!
Seu últimos discos parecem ser mais pop dos que os anteriores. Vocês atingiram público maior ou isso não mudou?
Nós estamos sempre atingindo um público maior, porque a gente só melhora e melhora. Todos os nossos discos vendem mais do que o anterior, e cada disco é baixado ilegalmente mais do que o anterior. Go us! (acho que não precisa traduzir esse Go us!)
Atenção: hipérbole adiante. Avisados? Então lá vai.
HEALTH é o futuro do rock.
A constatação começa pelos ouvidos: a origem dos milhares de sons criados da banda de LA é nebulosa. O sintetizador pode ser guitarra que pode ser baixo que pode ser sintetizador. Apesar da aparente anarquia, há um meticuloso cuidado na elaboração dessas malhas de texturas sonoras. Tudo soa novo, fresco, fora das frequências às quais nossa audição está acostumada.
Aí, temos também a percussão. O HEALTH, apesar da aparente anarquia, é uma banda de cadência, de groove. Além do baterista, um animal por si só, eles também contam com um percussionista. Isso é o que eleva uma faixa como Crimewave, do primeiro disco, a algo tão impressionante. O poder da percussão é inegável. E raramente ele pode ser apreciado fora do contexto afro/odara/meu nêgo.
Get Color é o passo seguinte à atual obsessão por música de laptop. É a volta da música análogica depois do seu contágio pelo digital; dos instrumentos clássicos do rock, tocados, ainda que de forma completamente nova, emitindo sons antes exclusivos às geringonças eletrônicas. Este é um daqueles raros discos que realmente soam diferentes de tudo. Daí a dificuldade geral em engolir essa música excêntrica. Dores da vanguarda.
Se alguém abrisse um estabelecimento que fosse o futuro da discoteca, We Are Water seria Born Slippy. Pulso kraut, implacabilidade de pós-punk e lampejos de noise. E nós estaríamos na pista, suados, tentando achar, entre pés desorientados e relinchos de borracha, o futuro dos passinhos de dança.
Na última sexta-feira (07/08) o Paul Banks fez a sua primeira aparição na TV com o seu trabalho solo Julian Plenti, no programa do Jimmy Fallon. Olha aí:
Tudo aconteceu em um cenário de sonhos. Cérebros artesanais, nos mais diversos tamanhos e materiais, uma cidade de janelas que piscam (e um quarteirão sem luz, em nome da veracidade), amigos de longa data, histórias internas, riscos a cada número, projeções, boa música.
O show do Cérebro Eletrônico no MIS foi especial. O próprio Tatá Aeroplano disse que seria uma apresentação única, feita sob medida para a ocasião: o primeiro aniversário do novo MIS. Daí os agradecimentos sinceros a todos, a participação especial da amiga Tulipa Ruiz (que voz linda!) e um repertório de lados-B e músicas que não costumam chegar ao palco.
Ver a banda bem de perto, na calma de uma cadeira, impressiona. Como tocam bem! O baterista e o guitarrista, em especial, deram show; o primeiro, dando um pulso inesperado à mais arrastada das músicas; o segundo, criando paisagens de notas mil, líquidas ou distorcidas, que sofisticavam até os momentos de preguiça caetanesca (nhé).
Várias músicas novas, do futuro álbum Deus e o diabo no liquidificador, foram ensaiadas diante do público. Isso foi o que eles disseram, pois pareceram prontas. Para mim, duas dessas novidades foram os destaques do show: Realejo Em Dó, pela letra e os arroubos virtuosos na guitarra, e Decência, que é um single pronto, daqueles que funcionam no show, no rádio e na pista.
Fizemos um vídeo de outra faixa nova, Cama, que você pode ver abaixo. O resto da noite, você confere em vídeos aqui e fotos aqui.
Foi isso. A apresentação em edição única valeu a pena. Ficam aqui os parabéns ao Cérebro Eletrônico, ao MIS e ao Farinha, e os agradecimentos pela noite one-of-a-kind que tivemos.
Something Good Can Work parece Phoenix com uma pitada de afrobeat. Melodia fácil, voz reconfortante, quase que na tradição do blue-eyed soul, batida curta (feita no notebook, cabe notar) e um marcante dedilhado, com a suavidade e a graça das guitarras africanas.
Se for para ser música pronta para rádio, que seja assim: dinâmica, dançante e com referências um pouco menos óbvias. Sem se esquecer, claro, de um refrão ridiculamente melódico e com um belo "yooooouuuuuu" para todos cantarmos juntos.
Com uma boa assessoria (eles já caíram nas graças da Kitsuné, que os incluiu em sua última coletânea) e um número não tão alto de decisões estúpidas, esse trio de moleques da Irlanda do Norte irá bem longe. Não dá para uma música ser mais redonda do que esta. Este é o som do estrelato, minha gente.
Games For Days é o primeiro clipe do Julian Plenti, projeto solo do Paul Banks, do Interpol.
O clipe mostra o Paul em dois papeis, um bonzinho e um mais dark. Enquanto o certinho está fora, o badboy apavora em um quarto de hotel, com a ajuda de ninguém menos do que a Emily Haines, vocalista do Metric.
Tá aí uma parceria que eu nunca tinha imaginado.
O disco do moçoilo Julian Plenti is... Skyscraper saiu no começo da semana, pela Matador Records.
Hoje à noite, a partir das 21h, rola um show Superespecial do Cérebro Eletrônico, no MIS.
A apresentação está repleta de coisas legais. O show vai contar com projeções, cenários especiais e arte em edição limitada, além de músicas novas, lançamento de clipe novo, e participação da cantora Tulipa Ruiz.
Como mostrou Best Friend, música sobre a morte de um melhor amigo, que tive o atrevimento de incluir na minha mixtape para o Dia do Amigo (mórbido, eu sei, mas vocês nem perceberam), os Drums são uma banda que sente falta do passado.
Submarine contém linhas de baixo incríveis, voz um tanto distante, sem o tom de urgência que a letra supostamente solicitaria, e influência descarada do clássico som da Factory Records. Tudo bem simples e enxuto. Sinta a nostalgia.
Agora, se no EP deles, The Drums, predominam os anos 80, Let's Go Surfing volta três décadas. Assobios, guitarrinhas de surf music, harmonias vocais agudas e uma certa rebeldia ("I wanna go surfing / i don't care about nothing") que, nos anos 50, devia ser equivalente a fumar crack hoje em dia. Ouro pop do Brooklyn, pra variar.