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13 de maio de 2010

Vênus de Milo com dois braços #24: O Dia das Lojas de Disco

Por Bruno Scartozzoni.

Depois de muito tempo visitei a Galeria do Rock, no centro de São Paulo. Na adolescência tinha o hábito de ir lá algumas vezes por ano para comprar aquele CD de rock que não encontrava em mais nenhum lugar. Com o tempo migrei para o MP3, assim como quase todas as pessoas. Resultado: as lojas de discos, tanto na rua quanto no shopping, fecharam. Na Galeria do Rock não podia ter sido diferente. Há 15 dias atrás constatei isso.

Mas é curioso ver como o lugar que antes vendia música agora vende comportamento. A Galeria do Rock continua sendo frequentada pelas mesmas tribos de antes (ou correspondentes), só que a maioria das lojas de CDs deram lugar à lojas de camisetas, acessórios, estúdios de tatuagem e coisas do tipo. Você vai lá não mais para ouvir rock, mas para vestir rock.

Pois bem, diferentemente daqui, lá no Reino Unido parece que o pessoal ainda cultiva um tanto as lojas de música, sobretudo as mais independentes. É por isso que criaram o Records Store Day, um dia cujo objetivo é incentivar as pessoas a frequentarem essas lojas. Para isso fazem promoções, lançam itens de edição limitada e organizam festinhas. Uma iniciativa pra lá de legal, cuja edição 2010 teve como embaixador o Josh Homme, do Queens Of The Stone Age e do Them Crooked Vultures. O vídeo dele você vê aí embaixo.


via Update or Die

4 de maio de 2010

Vênus de Milo com dois braços #23: A nova música clássica

Por Bruno Scartozzoni.

Veja o belíssimo vídeo abaixo e me diga se isso não é a música clássica do futuro. Instrumental, eletrônica, visual, matemática...fantástico!

via

8 de abril de 2010

Vênus de Milo com dois braços #20: Como astros de rock devem tratar jornalistas chatos

Por Bruno Scartozzoni.

Se você tem uma banda e está se preparando para uma carreira de sucesso, melhor se preparar para lidar com a imprensa.

É verdade que hoje em dia, com o atalho das mídias sociais, talvez você não precise das mídias de massa para estourar. Ainda assim, mais dia menos dia, vai acabar se deparando com uma chatíssima coletiva de imprensa.

Lou Reed, em 1974, estabeleceu as premissas do que deveria ser a cartilha básica de como astros de rock devem tratar jornalistas chatos.

via Update or Die

1 de abril de 2010

Vênus de Milo com dois braços #19: Google versus o resto

Por Bruno Scartozzoni.

Saiu na Wired um artigo bem legal sobre a estratégia do Google para entrar no mercado de música digital.

Em resumo, eles estão interessados em comprar uma empresa que desenvolveu uma tecnologia muito interessante. Imagine que hoje você tem uma cacetada de músicas no seu iTunes. Com essa tecnologia você poderá deixar sua coleção em uma "nuvem de dados", e acessar essa nuvem de qualquer aplicativo como celulares, aparelhos de som automotivo e até o iPod de outra pessoa.
Nesse cenário o Google ganharia dinheiro de duas formas:

1 - cobrando uma taxa para viabilizar essa compatibilidade
2 - gerando mais tráfego em seu serviço de busca, já que essas nuvens estarão disponibilizadas por aí

O mais curioso é que esse caminho não confronta diretamente com o maior player (adoro trocadilhos) de música digital, a Apple. O iTunes continuaria existindo como uma das principais formas de formação de coleções de música. O trabalho do Google seria capitalizar em cima dessas coleções, jogando-as nas nuvens.

Curioso? Leia mais aqui (está em inglês).

18 de março de 2010

Vênus de Milo com dois braços #18: Marketing: devolução e evolução

Por Bruno Scartozzoni.

Lembra do Devo? Aquela banda seminal do New Wave, que hoje é composta por velhinhos muito simpáticos e ativos.

Pois bem, não é só nos palcos que os caras ainda mandam bem. Depois desse site para promover o novo trabalho, é fato que os caras estão mais atualizados no campo do marketing do que muita banda nova por aí.

Sugiro que você reserve uns 5 minutos para apreciar o humor ímpar e ajudar o Devo a escolher uma nova cor para os emblemáticos chapéus.

9 de março de 2010

Vênus de Milo com dois braços #17: Música versus TV

Por Bruno Scartozzoni.

Recentemente saiu uma pesquisa mostrando que as crianças de 8 a 18 anos consomem mais mídia hoje do que 6 anos atrás. Na média 1 hora e 17 minutos a mais. Isso é explicado basicamente pela maior oferta de aparelhos eletrônicos, como mp3 players e celulares, e também pelo modo como eles são usados, tudo ao mesmo tempo agora, ou seja, no modo multi-tarefa.

A mesma pesquisa também mostra que, conforme a idade vai passando, o tempo gasto com TV diminui e o tempo gasto com música aumenta, até que, lá pelos 18 anos, passam a se equivaler. Está aí o motivo pelo qual muitas marcas que lidam com jovens investem tão pesadamente em shows, festivais e coisas do tipo. Por maior que seja a banda, ainda assim é mais barato do que veicular na TV.

Apesar do estudo não levantar os motivos dessa troca (TV por música), tenho alguns palpites. A música é um meio de socialização muito melhor do que a TV, e isso é bastante importante na adolescência, uma época onde as pessoas querem fazer amigos e sexo. Além disso o som em geral se adapta melhor à multi-tarefa, exigindo menos atenção do que a imagem. E também não podemos esquecer que, até por uma questão técnica (tamanho do arquivo), a música se espalha pela internet muito mais facilmente do que conteúdos de TV, o que no final do dia deve fazer alguma diferença...

2 de março de 2010

Vênus de Milo com dois braços #16: Bandas e empresas unidas

Por Bruno Scartozzoni.

Poderia ilustrar esse post com a nova propaganda da NET, protagonizada pela Claudia Leitte, mas achei melhor fazê-lo com esse belíssimo filme da Skoda, montadora de automóveis tcheca que convidou o músico experimental Petr Spatina para fazer uma composição com algumas centenas de taças de cristal cheias de...água!

Não é a primeira e nem será a última vez que artistas do mundo da música são convidados por empresas a participarem de campanhas. Na verdade isso é mais velho que andar pra frente. A diferença é que, em uma realidade onde vender música para o público é cada vez mais incerto, é possível que artistas comecem a ficar cada vez mais dependentes do marketing.

Esse é um post sobre traçar cenários. Abaixo vou dar alguns exemplos de coisas que podem acontecer no futuro. Se são coisas boas ou ruins eu não sei, aí cabe a você decidir:

- Bandas serão criadas por departamentos de marketing. Desde a escolha dos membros até o ritmo, passando por detalhes como figurino e cenário do palco, tudo deverá refletir a marca que a banda representa. Já que a banda se sustenta por meio da empresa, todo seu trabalho será disponibilizado de graça para as pessoas. O lado ruim é que, no fundo, cada álbum será uma grande propaganda subliminar (ou descarada mesmo). Mas se música e letras tiverem qualidade, porque não?

- Uma possibilidade menos apocalíptica do que essa seria as bandas abrirem espaço para patrocinarem seus trabalho. Cada novo álbum teria um novo patrocinador. A intervenção pode ir desde um logo na capa, uma faixa patrocinada cuja letra fale de um produto específico, ou tudo fazer parte de um conceito só.

- Já pensando no uso comercial de suas músicas, bandas eventualmente vão compor pensando nesse ou naquele produto, já com o intuito de bater na porta do marketing das empresas e oferecer os direitos daquela faixa específica para uma campanha. Será um tipo de "product placement" ativo, onde o artista toma a dianteira ao invés de esperar que a empresa o contrate. Nesse cenário imagino agentes se especializando nesse tipo de coisa.

Video via Update or Die.

24 de fevereiro de 2010

Vênus de Milo com dois braços #15: Melodia Emprestada

Por Bruno Scartozzoni.

Desde o início uma das graças da cena hip hop era justamente pegar trechos de músicas já gravadas e fazer disso algo totalmente original.

Quando isso deixou de ser uma cena independente para se tornar uma indústria milionária (principalmente nos Estados Unidos), os donos dessas "melodias emprestadas" começaram a querer cobrar pela infração dos direitos autorais.

Copyright Criminals é um documentário sobre esse tema que estreou no começo desse ano. Interessantíssimo. O trailer você vê aí embaixo:

via

19 de fevereiro de 2010

Vênus de Milo com dois braços #14: Cassete, olha o K7!

Por Bruno Scartozzoni.
Olha bem essa imagem. É uma foto tirada em 1993, certo?
Errado. Não sei a data, mas é uma foto bem recente, tirada em Omã, por Jan Chipcase, um cara que roda o mundo, principalmente em lugares fora dos grandes centros, em busca de insights.
A gente fica falando aqui sobre novas tecnologias, mp3 e o escambau, e aí é só se afastar um pouco dos grandes centros (lembrando que o Brasil também não é um) para encontrar velhas tecnologias convivendo com as novas. Em outras palavras, no mundo as coisas acontecem fora de sincronia. Na indústria da música não poderia ser diferente.
Lembro que quando fui para o Egito, em 2001, também vi várias banquinhas como essas. Naquele tempo já fiquei chocado por quase não haver CDs. Pelo jeito o cenário nessa região do mundo não mudou muito.

10 de fevereiro de 2010

Vênus de Milo com dois braços #13: Música acompanha

Por Bruno Scartozzoni.

Outro dia escrevi sobre o cara que inventou as capas de disco como as conhecemos e revolucionou a indústria da música. Hoje em dia, com mp3 e o escambau, acho que isso tem cada vez menos importância para a maioria das pessoas, pelo menos para o consumidor de música comum.

Para os retardados, que nem o pessoal aqui do Dominódromo, capa ainda é importante. Primeiro porque é uma coisa legal. Segundo porque dá uma unidade ao álbum, que é um trabalho artístico com começo meio e fim. O que seria do Black Album do Metallica se a capa fosse verde? ;)

Esse ranking das melhores capas de discos de 2009 é um deleite. Não concordo com o primeiro lugar, que ficou com Muse, mas aí tem pelo menos 20 obras de arte para serem apreciadas. Música acompanha.

Dica da @babee.

3 de fevereiro de 2010

Vênus de Milo com dois braços #12: Listas do Futuro

Por Bruno Scartozzoni.

Festas de final de ano significam muitas coisas. Shoppings lotados, troca de presentes, abraços fraternais, grandes banquetes, um monte de expectativas e, é claro, listas, muitas listas com as melhores e piores coisas que aconteceram no 365 dias anteriores.

Você aí que é ligado no mundo da música já deve ter se deparado com dezenas de listas desse e daquele site, com os álbums que mais fizeram a diferença em 2009. Para a indústria esse é um momento importante pois acaba sendo um último suspiro no esforço de divulgar um disco. Por exemplo, só agora, vendo uma dessas listas, percebi que havia esquecido de ouvir o novo álbum do Franz Ferdinand.

Mas o motivo desse post é uma lista específica, a da Last.fm. Para quem não conhece, trata-se de uma rede social que armazena informações sobre os hábitos e gostos musicais de cada usuário, mostrando o quanto fulano e sicrano são parecidos, ou diametralmente opostos, nesse quesito. Volta e meia visito o perfil do Fernando e da Karen para saber o que eles estão escutando...

E o que a lista deles têm que as outras não têm? Simples. Informações e mais informações. Por exemplo, quantas vezes durante o ano as pessoas ligadas àquela rede escutaram músicas daquele álbum. Lady Gaga, a campeã, foi escutada mais de 18 milhões de vezes por mais de 750 mil usuários diferentes.

Outro dado interessante é o quão rápido aquele álbum se tornou um hit, ou seja, se foi um fenômeno instantâneo ou se demorou um tempo para maturar. E mais surpreendente ainda é ver a atividade dos usuários em relação àquele álbum durante o ano, mês a mês. Em quase todos o que dá para notar é que há um pico próximo ao lançamento, e depois, ao longo do ano, o número de ouvintes mais ou menos dobra em relação aos níveis anteriores. Isso significa que as pessoas continuam escutando um bom novo álbum por muitos meses até se enjoarem.

Se você quer saber quais foram os melhores álbums obscuros e artisticamente relevantes de 2009 essa talvez não seja sua lista, mas se tiver alguma curiosidade em relação ao mercado e ao comportamento dos consumidores, ou ouvintes, vale uma meia hora para explorar todos os dados.

26 de janeiro de 2010

Vênus de Milo com dois braços #11: Mania de Classificar

Por Bruno Scartozzoni.

Classificar as coisas é um problema que interessa basicamente para dois grupos: obsessivos que precisam organizar as coisas dentro de um certo método e a indústria, que precisa colocar as coisas na prateleira e embalagem corretas.

Mas como você classifica isso que está aí, logo abaixo? É uma música? Um videoclipe? Uma animação musicada? Uma obra de arte dos tempos modernos? Afinal, o que é isso? Se você não estiver em nenhum dos dois grupos acima pode dar play e curtir sem se preocupar com isso.

19 de janeiro de 2010

Vênus de Milo com dois braços #10: O homem que transformou música em imagem

Por Bruno Scartozzoni.

No final da década de 30 os discos, de vinil, eram comercializados com capas muito simples, em tons de marrom. Até que Alex Steinwess, designer gráfico contratado pela Columbia Records para criar material de divulgação, teve uma ideia brilhante, que mudou a forma como consumimos música até hoje...bom, pelo menos até um tempo atrás, mas essa é outra história.

Sua ideia foi bem simples, mas na época resultou em um incremento de vendas de 800%: substituir as capas sem graça por criações artísticas que interpretassem visualmente as músicas. Em outras palavras, ele inventou as capas de discos como as conhecemos. Ou conhecíamos. Com o advento da música digital as capas cada vez mais perdem a importância. Quantos discos você já baixou sem nem saber que "cara" eles tinham?

Ainda assim, pela nostalgia ou pela curiosidade, vale muito a pena dar uma olhada na obra do cara. Nesse post você encontra uma pequena seleção, e aqui o livro da Taschen que acabou de sair, com suas melhores criações.

12 de janeiro de 2010

Vênus de Milo com dois braços #9: A música nos tribunais

Por Bruno Scartozzoni.

Não é de hoje que na briga contra a pirataria as gravadoras apelam para a lei. Trocadilhos a parte, nada mais justo. Independentemente de quem você esteja contra ou a favor nessa batalha, ambos os lados têm o direito de procurar os tribunais.

Pessoalmente acho que essa é uma questão muito mais cultural e econômica do que jurídica. Ainda assim volta e meia surgem casos interessantes cujas decisões vão balizando aqui e acolá o que podemos esperar do futuro. Pensando nisso a Wired fez uma lista com os casos de 2009 que mais influenciarão a indústria da música. Em inglês, nesse link.

22 de dezembro de 2009

Vênus de Milo com Dois Braços #8: Ritmo, é ritmo de festa

Tudo começou com Dance Dance Revolution, um videogame que colocava o jogador em uma pista de dança ditando os movimentos que ele deveria fazer. Quanto mais fiel aos comandos, maior a pontuação. Quanto maior o mico que a pessoa pagava frente aos amigos, maior a diversão. Simples assim. DDR foi considerado um sucesso de vendas, mas ainda assim teve lá seu nicho pois não era qualquer um que se propunha a enfrentar o ridículo.

Depois vieram vários jogos similares e Samba de Amigo, que fazia os jogadores tocarem maracas ao ritmo de sons latinos. Samba de Amigo não vendeu tanto quando DDR, mas é considerado um cult e, acreditem, tem uma capacidade enorme de promover diversão.

Até que alguém pensou que, ao invés de maracas, seria muito mais legal tocar guitarra. Tá bom, não sei se o insight foi exatamente esse, mas vamos fingir que sim para a história ficar mais interessante. E então surgiram Guitar Hero, Rock Band, DJ Hero e outros videogames rítimicos, sucessos instantâneos de vendas.

Muita gente da indústria da música está apostando suas fichas nesse gênero. A premissa é muito simples. Fazer o jogador se sentir um guitarrista, um dj, parte de uma banda ou, de uma forma mais genérica, alguém que sobe no palco para fazer música, é um contexto bem interessante para vender música, e nesse caso as possibilidades de pirataria são bem menores.

A grande aposta está na criação de catálogos digitais por meio dos quais os jogadores podem fazer downloads de novas músicas para jogar. Além de aumentar o fator replay do jogo, isso acaba virando um novo canal de vendas para bandas e gravadoras. A outra jogada está nas versões especiais que são tematizadas com uma banda específica, como o Rock Band dos Beatles e o Guitar Hero do Metallica. Sem dúvida é mais uma possibilidade de vender músicas que fizeram sucesso no passado e apresentar velhas bandas para a nova geração.

Que os videogames rítimicos são um achado para a indústria ninguém nega, mas duvido que sejam a salvação. A maioria das pessoas ainda vão preferir ouvir música do jeito "antigo". A lição que fica é que uma forma de combater a temida pirataria é a oferecer algo mais, de preferência algum tipo de experiência interativa que amarre o ouvinte à uma nova plataforma. Se alguma dessas plataformas irá ser tão popular quanto à simples música a ponto de salvar o leite das crianças de quem trabalha com isso, aí fica a questão. Nesse cenário seria possível imaginar, por exemplo, uma banda lançando seu novo álbum direto para os videogames.

O que você pensa sobre isso?

15 de dezembro de 2009

Venus de Milo com Dois Braços #7: O som é a nova imagem

Por Bruno Scartozzoni.

Desde sempre, ou pelo menos desde quando me considero um ser alfabetizado, jornais e revistas são os meus melhores amigos para a hora do aperto. Em outras palavras, a imprensa escrita sempre foi minha fiel companheira de trono, do famoso número 2. Mas isso começou a mudar.

Não, não aconteceu do dia para a noite. Certa vez não achei nada de interessante por perto para ler e então lembrei daquele podcast que tive que pausar antes do fim. Pensei que ali seria uma boa oportunidade de continuar escutando-o. A partir daí comecei a substituir gradualmente o papel pelo iPod. Antes que alguém faça uma má interpretação, continuo me limpado com papel higiênico. O que mudou foi a mídia que uso para me distrair nessas horas.

É verdade que um podcast pode ser comparado à uma revista sonora, e que podcast e música são coisas completamente diferentes. Também é verdade que essa coluna é sobre o mercado de música, e não de podcast. Mas, mesmo assim, esse singelo momento abriu minha cabeça para algo que está relacionado ao tema e vem ocorrendo nesses tempos modernos: o crescimento do som em detrimento da imagem.

Oras bolas, quando nasci, em 1980, a TV reinava absoluta em nossas vidas. Depois, com o tempo, lembro de ter presenciado a radicalização do ditado "uma imagem vale por mil palavras". Sempre que podiam substituir a palavra escrita por uma foto, ilustração ou gráfico, faziam. Essa era a fronteira do futuro, pensavam. Mas estávamos todos enganados.

Uma das vantagens de ter quase 30 anos é que, mais ou menos nessa idade, a gente começa a perceber que o mundo funciona de forma cíclica. Quando você acha que alguma coisa está consolidada é porque falta pouco para mudar tudo de novo. E é assim a relação dos seres humanos com som e imagem.

Não peguei o tempo onde as famílias se reuniam em volta do rádio, como você já deve ter visto em filmes e novelas de época, e acho que esse fenômeno não vai se repetir tão cedo. A cada dia que passa consumimos mais som, mas quase sempre individualmente. Enquanto a imagem demanda muito de nossa atenção, o som cabe como uma luva em atividades do dia a dia: uma caminha da casa até o trabalho, a hora de lavar louça, o momento de sentar no trono etc.

E daí? O que podemos esperar disso? Abaixo listo alguns palpites:

- o rádio ganhará importância
- videoclipes perderão importância
- o novo jornal de grande expressão será um podcast
- o novo programa de entrevista de grande expressão será um podcast
- a volta das radio-novelas
- aparelhos domésticos se adaptarão a essa nova realidade


(video via Brainstorm9)

E quando você achar que esse novo mundo estiver consolidado, lembre-se, a imagem certamente dará o troco!

8 de dezembro de 2009

Vênus de Milo com dois braços # 6: Taleban Idol

Por Bruno Scartozzoni.

Você é daqueles que acha que os reality shows são um dos pilares da degradação da sociedade?

Talvez sejam mesmo, mas esse vídeo traz uma visão muito diferente sobre o assunto. Mais especificamente sobre a febre das competições musicais, ou seja, American Idol e similares.

Se nas sociedades ocidentais esse tipo de programa é considerado por alguns o que há de mais fútil, em países mais conservadores essas competições podem ter um papel muito importante. Estou falando, especificamente, de países árabes.

No equivalente afegão do American Idol, o programa acabou reintroduzindo a música na sociedade, anteriormente proibida pelo regime Taleban. Outra coisa curiosa é que isso acabou dando destaque às mulheres, oprimidas pelo mesmo regime. E, mais fantástico ainda, o programa gerou um fenômeno de integração social nunca visto antes: pessoas de uma tribo/etnia/religião votando em candidatos da tribo/etnia/religião rival simplesmente por serem melhores cantores.

Aparentemente o ouvido não sofre de tantos preconceitos. ;-)

Assista o vídeo abaixo, mais uma pérola do TED.

19 de novembro de 2009

Vênus de Milo com dois braços # 3: Universo Expandido

Por Bruno Scartozzoni.

Houve um tempo em que bandas ganhavam dinheiro vendendo CDs. O CD era a materialização física de seu trabalho. Você podia apalpá-lo, sentí-lo e exibí-lo em sua estante, assim justificando o preço pago por aquele conjunto de músicas. Com o advento do mp3, do iPod e do download ilegal (mas praticado por quase todo mundo) esse cenário mudou. Tá, já falei sobre isso na minha coluna anterior mas vale a pena repetir para os desavisados.

O negócio é que vivemos em um sistema capitalista e, feliz ou infelizmente, esses caras que tocam as músicas que gostamos de ouvir merecem ganhar alguma coisa em troca para garantir o pão nosos de cada dia, o leite das crianças e qualquer outro clichê que você prefira. Só que o ser humano é acomodado e, por mais que você ouça uma banda todos os dias, na hora H é altamente improvável que você vá abrir a carteira para recompensá-los. Bandas como Radiohead podem se dar ao luxo de fazer experimentos sociais e disponibilizar suas músicas pelo preço que cada um quiser pagar, mas por um bom tempo isso será a exceção que confirma a regra.

Nessa bagunça há duas saídas óbvias, apontadas por qualquer consultor futurologista de meia tigela. A primeira eu mesmo já falei na coluna passada, trata-se de dar um tratamento especial para o meio físico, tornar o CD um objeto de arte, de colecionador, feito para os fãs etc. Coisa que, diga-se de passagem, bandas de heavy metal como o Iron Maiden sabem fazer muito bem. Muito antes da onda mp3 elas já sabiam como lançar caixas e coletâneas para agradar seu público mais cativo.

A segunda saída são os shows, apontados como os salvadores da pátria. Muita gente defende que as bandas devam se popularizar distribuindo sua música de graça e depois capitalizar em cima das turnês. Mas, de novo, isso não funciona para todo mundo. E ultimamento li alguns artigos de especialistas apontando o alto custo para a realização de shows, não só no Brasil mas em qualquer país, o que inviabilizaria esse esquema.

É aí que entra a criatividade de expandir os limites e, inspirado pela música, criar outros produtos e serviços que tragam algo de novo e divertido para as pessoas e, ao mesmo tempo, garantam uns trocados para o artista. Nesse sentido as franquias de videogames Guitar Hero e Rock Band estão sendo apontadas como experiências bem sucedidas de vender música em um novo contexto, colocando as pessoas como protagonistas. Mas, para fugir do clichê, pegarei um exemplo nacional bastante criativo.

Trata-se do game para celular da Pitty, criado para promover seu novo trabalho. Trata-se de uma coletânea de três mini-games. Em um deles você banca a mulher moderna incorporando a Pitty mãe, dona de casa e profissional. No outro você confronta seus medos (ou os medos da Pitty? Não entendi!) por meio de um puzzle. E no terceiro você brinca de fazer stage diving em um show da cantora. A cada mini-game completado o jogador ganha acesso à uma música. Mais informações você encontra aqui, na fonte da notícia:http://www.gamereporter.org/2009/11/03/jogo-da-pitty-e-criado-para-promover-novo-trabalho/

Me parece que as idéias por trás dos mini-games poderiam ter sido melhor desenvolvidas, mas não vou julgar a execução pois não joguei. E o que realmente importa aqui é a cratividade de lançar algo que completa a música, mas ao mesmo tempo ajuda na divulgação. Me arrisco a dizer que esse game faz parte do trabalho, assim como as próprias faixas, o encarte do CD e a turnê que fatalmente acontecerá. A medida que tudo fica mais digital, e portanto menos palpável, é preciso expandir o universo de um trabalho musical para que as pessoas percebam sua existência e queiram remunerá-lo de alguma forma.

Se você tivesse uma banda, o que faria nesse sentido? Um filme? Um livro? Uma coleção de toy art? Uma instalação?

5 de novembro de 2009

Vênus de Milo com dois braços # 2: Livro, a nova música.

Por Bruno Scartozzoni

Você conhece o Kindle? É aquele aparelhinho que funciona como um "iPod de livros", fabricado pela Amazon, e agora vendido oficialmente no Brasil. Trata-se basicamente de um mini computador capaz de armazenar publicações eletrônicas como livros e revistas. A diferença é que ao invés do papel a leitura acontece na tela.

Há quem não se adapte à essa nova forma de consumir leituras, mas já ficou claro que esse é o futuro. Para quê gastar centenas de reais e ocupar um baita espaço montando sua biblioteca se tudo isso pode estar na sua mão, dentro de um gadget só, por um custo bem mais baixo?

E o que isso tem a ver com música? Tudo, pois já vimos essa mesma história há alguns anos, quando os mp3 player começaram a invadir o mercado e mudar a forma como consumimos música. Da próxima vez que andar na rua repare que é cada vez maior o número de pessoas, de todas as classes sociais, que andam para lá e para cá com fones de ouvido.

O impacto dos mp3 players sobre nossos hábitos de consumo de música foram vários, mas vamos nos ater aqui apenas ao fato de que as pessoas estão substituindo as mídias físicas, ou CDs, por mídias digitais, ou arquivos de mp3. É exatamente o que vai acontecer com os livros.

Nessa realidade CD deve ser encarado cada vez mais como um mimo para colecionadores e fãs, uma edição especial, uma versão de luxo do arquivo digital. Pena que muita gente da indústria ainda não entendeu essa lógica, da mesma forma que as editoras também vão demorar muito tempo para entender que daqui a pouco isso vai se aplicar ao consumo de leitura. Livro físico será item de colecionador, objeto de decoração e versão (mais cara) para analfabetos digitais.

A próxima indústria a sofrer dessa transformação, para o bem e para o mal, provavelmente será o cinema, já que os serviços de download de filmes são cada vez mais populares lá fora. Se você pode ter todos os filmes do mundo a um click de distância, para quê encher a casa de caixinhas de DVDs?

Apesar de tudo não se enganem com esse papo de "a história se repete", porque aqui não se trata de várias histórias, mas de uma só. A sociedade como um todo está mudando radicalmente, a uma velocidade muito maior do que a maioria das empresas podem entender e suportar.

Conclusão: da próxima vez que você for comprar um livro, um CD ou um DVD, exija capa dura, encarte especial ou um recheio de extras que compense a aquisição. Como fã você merece. Entre um produto sem graça e sua versão digital, fique com a segunda.