30 de outubro de 2007

um balanço (musical) do tim festival 2007

Visto que os problemas de produção do TIM Festival foram muito bem-descritos por Karen Kopitar, falarei estritamente sobre a parte musical do evento:

SEXTA

Girl Talk - Empolgante. As festas daqui tinham que ser mais assim, DJ e público trocando energia, chegando à catarse coletiva que presenciei por lá. Para dar uma idéia da empolgação do sujeito, seu laptop estava envolto por plástico, para evitar os danos do suor torrencial que caía de seu rosto. Os momentos de rock ou pop cafona eram sempre os que mais me empolgavam - como um riff pode ser icônico, não? A dança era constante, mas os braços iam para o alto nessas horas, especificamente, a cada colagem-surpresa, engatilhando novas ondas de empolgação na platéia.

Lindström - Foi mágico. Sim, dá para ser dançante sem excessos, cacofonia, artifícios baratos. Pena que muita gente não entendeu isso; deviam preferir sirenes à elegância e beleza minimalista do produtor norueguês, e acabaram por deixar de dançar porque a batida não era tão óbvia aos ouvidos. Mas ela estava lá, sim, junto às pequenas melodias, as ascensões e quedas, ao persistente groove, formando uma espécie atmosférica e atemporal de disco music.

DOMINGO

Hot Chip - Extremamente original. Não sei quem mais faz esse tipo de música, moderna, percussiva, rica, orgânica. Acho que os discos não fazem justiça à apresentação deles - não tinha reparado na quantidade de camadas que compunha cada canção, nem na potência de suas batidas. Imagino como seria em um club, com um público realmente entrosado. E o novo material soa incrível e ainda mais inovador - viaja de Devo a crunk.

Björk - Surpreendentemente acessível. Ela respeitou o seu repertório, tocando várias do Homogenic (meu disco favorito dela). Vários momentos bonitos, como em Pagan Poetry, e poderosos, como em Army of Me. O circo todo no palco é bem legal, com o coral, a reactable, a teia, o figurino...

Juliette & the Licks - Sei que é lugar-comum, mas parecia uma atriz encenando o papel de uma rockstar. As caras e bocas, as frases, as poses, o som... Não há um pingo de originalidade no rock 1-2-3-4 de garagem da banda, especialmente datado quando contraposto às duas apresentações anteriores.

Arctic Monkeys - Show profissional e um tanto frio. Muitos hits, tocados de forma rápida e seca. Talvez o falatório das músicas não funcione tão bem ao vivo, e acabe por revelar uma ligeira anemia na parte instrumental da banda. Sei lá. Não me empolgou.

The Killers - Muita pompa, uma cafonice kitsch mais do que intencional, um caso de amor com o drama. Os Killers desfilam hits da música pop contemporânea, com a confiança de uma banda de estádio, sem a necessidade de poupá-los para um bis. Qual é a propriedade de suas músicas que as torna tão assimiláveis? Conhecia todas, e nem sabia disso.

2 comentários:

gabi de luca disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
gabi de luca disse...
Este comentário foi removido pelo autor.